Eleições
30 de outubro, 2026

Voto distrital misto: veja como seria o Congresso com os votos de 2026

Voto distrital misto: veja como seria o Congresso com os votos de 2026
Foto: Simulação do voto distrital misto: tabuleiro de xadrez de madeira recortado em formato de mapa, com peças espalhadas, como metáfora da disputa política

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A simulação do voto distrital misto chega num momento decisivo: a Câmara dos Deputados quer mudar a forma de eleger deputados ainda neste ano. Em 28 de outubro, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que pretende votar uma PEC para adotar o voto distrital misto em 2034, com um modelo de transição em 2030, segundo a Agência Câmara. O Ranking dos Políticos recontou os votos de 2026 nesses modelos, e a simulação mostra mudança pequena: no distrital misto compensatório, o PL iria de 121 para 125 cadeiras, e 88% dos deputados federais eleitos continuariam na Câmara.

O que está em debate na Câmara

A pressa é atribuída ao chamado puxador de votos. No sistema atual, um candidato muito votado divide as sobras com colegas do mesmo partido. Nikolas Ferreira (PL-MG) obteve quase 3,2 milhões de votos e puxou outros 13 deputados do PL, segundo a coluna de Marcela Mattos, no UOL. A coluna descreve o movimento como reação do centro ao avanço do PL. Nos bastidores, os partidos tradicionais chamam ironicamente de “bancada influenciadora” os parlamentares com milhões de seguidores nas redes. A ideia é votar a reforma antes de o novo Congresso tomar posse.

Os desenhos em discussão partem do sistema proporcional de hoje, segundo o Poder360. Para 2030, o PSDB afirma que a maioria aceita o distritão misto como etapa de transição. Nele, metade das vagas vai para os candidatos mais votados do estado. A outra metade vai para as listas dos partidos. Para 2034, o desenho é o distrital misto, com dois votos para o eleitor, um no distrito e outro no partido. A proposta mudaria só as eleições proporcionais, para deputados e vereadores. O Senado não seria alcançado.

O consenso ainda é parcial. Motta disse que as conversas foram concluídas com os partidos de centro. A próxima etapa é buscar a federação do PT, o PL e o Novo. O texto da PEC ainda não foi apresentado, e a simulação trabalha com as regras como estão descritas hoje.

Os limites da simulação do voto distrital misto

A simulação tem limites importantes. Os votos foram dados no sistema atual, e eleitores e partidos agiriam de outra forma sob uma regra diferente. Os distritos foram desenhados por um algoritmo, com eleitores aptos parecidos e sem dividir municípios pequenos, e não são uma proposta oficial.

Como funciona a simulação do voto distrital misto

Na simulação do voto distrital misto, o voto dado em 2026 vale duas vezes: uma para o candidato do distrito e outra para o partido, já que o eleitor não votou nos dois níveis.

O painel compara cinco cenários. O primeiro é o resultado real. Os outros quatro são hipotéticos. O distrital misto compensatório e o paralelo estão previstos para 2034. O distritão misto e o distritão são citados como possível transição para 2030. Em todos, a Câmara tem 513 cadeiras, e as assembleias legislativas somam 1.059.

O que muda em cada modelo de voto distrital misto

No modelo compensatório, o total de cada partido segue a proporção dos votos, e quem ganhou distritos recebe menos vagas da lista. No paralelo, as duas metades não se compensam. O distritão elege os candidatos mais votados de cada estado, sem importar o partido, e o distritão misto combina essa regra com a divisão proporcional da outra metade das vagas.

Na Câmara, o PL é o partido que mais cresce no modelo compensatório, de 121 para 125 cadeiras. No distritão misto, fica com 122. No paralelo, cai para 116, e no distritão puro, para 102. A Federação Brasil Esperança (PT, PCdoB e PV) perde espaço nos dois modelos mistos: de 88 para 80 no compensatório e 79 no paralelo. A Federação União Progressista (UNIÃO e PP) vai de 87 para 83 no compensatório. No paralelo, sobe para 94.

Quem ganha e quem perde em cada cenário

As menores bancadas são as mais sensíveis à regra. A Federação PSOL e Rede passaria de 15 para 21 deputados no compensatório. O PSB iria de 15 para 19 no compensatório e para 23 no paralelo. Já o PSD ganharia mais nas assembleias: de 103 para 129 deputados estaduais no paralelo.

Apesar das mudanças entre partidos, a renovação seria limitada. No modelo compensatório, 449 dos 513 deputados federais eleitos em 2026 continuariam na Câmara, ou 88%. Os outros 64 seriam substituídos. Os novos entrariam pelos distritos ou pelas listas. O painel lista, para cada estado, quem entra e quem sai em cada cenário.

Nas assembleias legislativas, o efeito também é moderado. O PL teria 212 deputados estaduais no resultado real e 210 no modelo compensatório, mas chegaria a 226 no distritão misto. O painel permite ver cada uma das 27 unidades da federação, com o mapa dos distritos e a bancada por partido.

Como usar o painel interativo

Escolha entre Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas. Depois, selecione o sistema eleitoral e o estado. O mapa mostra o partido vencedor em cada distrito. A tabela compara todos os sistemas lado a lado, e a seção final lista quem entra e quem sai em relação ao resultado real.

Os dados da simulação do voto distrital misto foram gerados em 29 de outubro de 2026, a partir dos votos de 2026 para deputado. Para entender a proposta em si, leia o artigo O voto distrital misto e a crise de representação no Brasil. Sobre o cálculo das cadeiras, veja o estudo sobre quocientes eleitorais e proporcionalidade no Congresso e a página de critérios e metodologia.