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03 de junho, 2026

Quem criou o Pix e como o sistema foi construído

Quem criou o Pix e como o sistema foi construído
Foto: O PIX se tornou o principal meio de pagamento instantâneo do país | Ranking dos Políticos

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O Pix foi criado pelo Banco Central do Brasil, a autoridade monetária do país, dentro de uma estratégia técnica de modernizar os pagamentos. O sistema entrou no ar em novembro de 2020 e mudou a forma como o brasileiro movimenta dinheiro.

A confusão sobre a autoria é comum. Muita gente atribui o Pix a um governo específico, mas a história mostra um processo longo, conduzido pelo corpo técnico do BC ao longo de várias gestões presidenciais.

A ideia começou em 2016

As discussões sobre um sistema de pagamentos instantâneos começaram dentro do Banco Central ainda em 2016. Na época, o economista Ilan Goldfajn presidia a instituição e coordenou os primeiros estudos sobre o tema.

Naquele mesmo ano, o BC participou de um relatório do Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre os benefícios dos pagamentos instantâneos. O documento reuniu 26 bancos centrais, entre eles o Federal Reserve, dos Estados Unidos, e o Banco Central Europeu.

As transferências tradicionais, como TED e DOC, só funcionavam em horário comercial e em dias úteis. Além disso, boa parte da população ainda dependia de dinheiro em espécie para operações simples.

Marcos da construção

O avanço de fato veio em maio de 2018, com a criação de um grupo de trabalho dedicado ao projeto. Esse grupo reuniu mais de 130 representantes de bancos, fintechs, cooperativas, escritórios de advocacia, consultorias e do próprio governo.

Em 21 de dezembro de 2018, ainda no governo Michel Temer, o BC divulgou um comunicado com os requisitos fundamentais do futuro sistema. Foi a primeira base formal do que viria a ser o Pix.

O nome e a marca

O nome “Pix” só apareceu em fevereiro de 2020, junto com o logotipo e a campanha de divulgação. A identidade visual foi desenvolvida pela equipe de comunicação do Banco Central, segundo o registro oficial do projeto.

A infraestrutura por trás do sistema

Ao mesmo tempo o BC construía o Sistema de Pagamentos Instantâneos, o SPI. Essa é a plataforma tecnológica que liquida as operações em tempo real, sem janelas de fechamento e funcionando 24 horas por dia.

O lançamento aconteceu em duas etapas. Houve uma fase de testes em 3 de novembro de 2020, restrita a uma parcela dos clientes. O funcionamento pleno, para todos os usuários, começou em 16 de novembro de 2020, já na gestão de Jair Bolsonaro.

O papel de Carlos Eduardo Brandt

Embora o Pix seja fruto de trabalho coletivo, um nome aparece com frequência. O engenheiro Carlos Eduardo Brandt liderou a equipe que desenvolveu o sistema e coordenou sua implementação operacional.

Brandt foi indicado pelo então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para conduzir a parte técnica do projeto. Em 2021, ele se tornou o único brasileiro na lista da Bloomberg das 50 pessoas que definiram os rumos dos negócios globais naquele ano.

Mesmo assim, ele rejeita o apelido de “pai do Pix”. Brandt sempre descreve a criação como um trabalho de equipe e colaborativo, dentro de uma instituição de Estado.

Por que o Pix não pertence a um governo

O Pix atravessou quatro governos diferentes em sua trajetória. As discussões embrionárias ocorreram na gestão Dilma Rousseff, o grupo de trabalho avançou no governo Temer e o lançamento aconteceu no governo Bolsonaro.

O Banco Central possui autonomia técnica e operacional. Por isso, o desenvolvimento do sistema seguiu independente das mudanças no Poder Executivo. Atribuir a criação a um único presidente ignora como a instituição funciona.

Números que mostram o tamanho do Pix

Em novembro de 2025, o Pix completou cinco anos como o principal meio de pagamento do país, à frente de cartões e dinheiro em espécie. São cerca de 170 milhões de pessoas físicas e mais de 20 milhões de empresas usando o sistema.

Em 2024, o Pix movimentou cerca de R$ 26,4 trilhões, valor próximo de duas vezes o PIB brasileiro daquele ano.

Funções como o Pix Automático, lançado em junho de 2025, e o Pix por Aproximação ampliaram as formas de uso. O modelo brasileiro virou referência internacional e é estudado por outros países que querem replicar a experiência.


Alan Martins é jornalista, designer gráfico e analista de comunicação do Ranking dos Políticos