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O Pix foi criado pelo Banco Central do Brasil, a autoridade monetária do país, dentro de uma estratégia técnica de modernizar os pagamentos. O sistema entrou no ar em novembro de 2020 e mudou a forma como o brasileiro movimenta dinheiro.
A confusão sobre a autoria é comum. Muita gente atribui o Pix a um governo específico, mas a história mostra um processo longo, conduzido pelo corpo técnico do BC ao longo de várias gestões presidenciais.
As discussões sobre um sistema de pagamentos instantâneos começaram dentro do Banco Central ainda em 2016. Na época, o economista Ilan Goldfajn presidia a instituição e coordenou os primeiros estudos sobre o tema.
Naquele mesmo ano, o BC participou de um relatório do Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre os benefícios dos pagamentos instantâneos. O documento reuniu 26 bancos centrais, entre eles o Federal Reserve, dos Estados Unidos, e o Banco Central Europeu.
As transferências tradicionais, como TED e DOC, só funcionavam em horário comercial e em dias úteis. Além disso, boa parte da população ainda dependia de dinheiro em espécie para operações simples.
O avanço de fato veio em maio de 2018, com a criação de um grupo de trabalho dedicado ao projeto. Esse grupo reuniu mais de 130 representantes de bancos, fintechs, cooperativas, escritórios de advocacia, consultorias e do próprio governo.
Em 21 de dezembro de 2018, ainda no governo Michel Temer, o BC divulgou um comunicado com os requisitos fundamentais do futuro sistema. Foi a primeira base formal do que viria a ser o Pix.
O nome “Pix” só apareceu em fevereiro de 2020, junto com o logotipo e a campanha de divulgação. A identidade visual foi desenvolvida pela equipe de comunicação do Banco Central, segundo o registro oficial do projeto.
Ao mesmo tempo o BC construía o Sistema de Pagamentos Instantâneos, o SPI. Essa é a plataforma tecnológica que liquida as operações em tempo real, sem janelas de fechamento e funcionando 24 horas por dia.
O lançamento aconteceu em duas etapas. Houve uma fase de testes em 3 de novembro de 2020, restrita a uma parcela dos clientes. O funcionamento pleno, para todos os usuários, começou em 16 de novembro de 2020, já na gestão de Jair Bolsonaro.
Embora o Pix seja fruto de trabalho coletivo, um nome aparece com frequência. O engenheiro Carlos Eduardo Brandt liderou a equipe que desenvolveu o sistema e coordenou sua implementação operacional.
Brandt foi indicado pelo então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para conduzir a parte técnica do projeto. Em 2021, ele se tornou o único brasileiro na lista da Bloomberg das 50 pessoas que definiram os rumos dos negócios globais naquele ano.
Mesmo assim, ele rejeita o apelido de “pai do Pix”. Brandt sempre descreve a criação como um trabalho de equipe e colaborativo, dentro de uma instituição de Estado.
O Pix atravessou quatro governos diferentes em sua trajetória. As discussões embrionárias ocorreram na gestão Dilma Rousseff, o grupo de trabalho avançou no governo Temer, o lançamento aconteceu no governo Bolsonaro e o sistema se consolidou no governo Lula, com novas funções, como o Pix Automático, além de reconhecimento internacional em inovação financeira e inclusão.
O Banco Central possui autonomia técnica e operacional. Por isso, o desenvolvimento do sistema seguiu independente das mudanças no Poder Executivo. Atribuir a criação a um único presidente ignora como a instituição funciona.
Em novembro de 2025, o Pix completou cinco anos como o principal meio de pagamento do país, à frente de cartões e dinheiro em espécie. Segundo dados citados pela Agência Brasil, o sistema já reunia cerca de 170 milhões de usuários adultos e mais de 20 milhões de empresas. Até outubro de 2025, havia movimentado R$ 28 trilhões naquele ano. Em maio de 2026, o Pix registrou R$ 1,813 trilhão em pagamentos e 6,311 bilhões de operações no mês.
Em 2024, o Pix movimentou cerca de R$ 26,4 trilhões, valor próximo de duas vezes o PIB brasileiro daquele ano.
Funções como o Pix Automático, lançado em junho de 2025, e o Pix por Aproximação ampliaram as formas de uso. O modelo brasileiro virou referência internacional e é estudado por outros países que querem replicar a experiência.
Cinco anos depois do lançamento, o Pix deixou de ser apenas uma alternativa à TED, ao DOC e ao dinheiro em espécie. O sistema virou uma das principais infraestruturas digitais do país, usado por pessoas físicas, empresas, comércio, prestadores de serviço e governo.
Em maio de 2026, o Pix movimentou R$ 1,813 trilhão em pagamentos, com 6,311 bilhões de operações no mês. Em abril, tinham sido R$ 1,768 trilhão e 5,924 bilhões de transações. O maior volume financeiro da série ocorreu em dezembro de 2025, quando o sistema movimentou R$ 1,938 trilhão, impulsionado pelo pagamento do 13º salário.
O crescimento também mudou a posição institucional da marca. Em junho de 2026, o INPI reconheceu o Pix como marca de alto renome. Foi a primeira marca vinculada ao Governo Federal a alcançar esse status, com proteção especial contra uso indevido em diferentes setores da economia.
A relevância do Pix também passou a gerar reação fora do Brasil. Em 2025, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos abriu investigação comercial contra práticas brasileiras e incluiu pagamentos digitais entre os temas analisados. O governo brasileiro respondeu que o Pix busca aumentar a segurança, a eficiência e a inclusão no sistema financeiro, sem discriminar empresas estrangeiras.
Em 2026, o tema avançou para uma disputa mais ampla sobre soberania financeira e integração internacional de sistemas de pagamento. A discussão mostra que o Pix já não é apenas uma inovação doméstica. É uma infraestrutura pública de pagamentos, com impacto sobre concorrência bancária, cartões, dados financeiros e relações comerciais.
Ao mesmo tempo, o Banco Central segue ampliando as funções do sistema. O Pix por aproximação passou a se integrar mais ao Open Finance, permitindo que usuários compartilhem saldo e limite ao conectar contas em carteiras digitais. Essa evolução aproxima o Pix da experiência dos cartões por aproximação e amplia seu uso no varejo.
Alan Martins é jornalista, designer gráfico e analista de comunicação do Ranking dos Políticos