Ranking dos Políticos
11 de agosto, 2026

Ranking dos Políticos completa 15 anos de fiscalização do Congresso Nacional

Ranking dos Políticos completa 15 anos de fiscalização do Congresso Nacional
Foto: 15 anos do Ranking dos Políticos | Ranking dos Políticos

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O Ranking dos Políticos completa 15 anos nesta terça-feira (11). A organização foi criada em 2011 para avaliar deputados federais e senadores com critérios públicos e verificáveis. Hoje acompanha os 513 deputados e os 81 senadores em exercício.

O aniversário coincide com a maior revisão metodológica já feita pela entidade. Além disso, marca a entrada em novas redes internacionais e a ampliação da agenda de campanhas públicas.

Duas marcas de uma trajetória de 15 anos

Para o diretor-geral da organização, Juan Carlos Arruda, dois episódios resumem o que o Ranking pretende ser.

Medalha do Mérito Legislativo

Em fevereiro de 2024, a Câmara dos Deputados entregou a Medalha do Mérito Legislativo de 2023 a 37 homenageados. O Ranking dos Políticos estava entre os agraciados. Criada em 1983, a honraria reconhece serviços prestados ao Legislativo ou ao país.

“O Ranking nasceu justamente para acompanhar o Congresso, avaliar parlamentares e cobrar posições”, afirma Arruda. Segundo ele, o reconhecimento não custou independência à organização.

“Mostrou que fiscalização e diálogo institucional não são coisas incompatíveis”, diz o diretor-geral.

Campanha contra os supersalários

O segundo episódio é o Manifesto pelo Fim dos Supersalários, lançado em setembro de 2025. O documento cobra o cumprimento do teto constitucional no serviço público. Em um mês, a campanha somou 15 mil adesões.

A cobrança veio acompanhada de números. Nota técnica da organização calcula que os supersalários custaram mais de R$ 11 bilhões em 2023. Além disso, magistrados e membros do Ministério Público concentram 70% desse valor.

A organização também ouviu o Congresso sobre o tema. Na pesquisa parlamentar, 85,5% dos deputados e 92,4% dos senadores reconheceram a necessidade de regulamentação.

“Não queremos simplesmente identificar um problema, publicar um estudo e seguir para o próximo assunto”, diz Arruda. “Queremos pegar temas que afetam o país, produzir dados e explicar para a sociedade.” O acompanhamento, nesse modelo, segue até a mudança chegar.

Independência em um Congresso polarizado

Quinze anos de atuação atravessaram governos, legislaturas e disputas eleitorais duras. Nesse ambiente, criticar um lado costuma render o rótulo do outro. Arruda trata isso como o principal desafio da organização.

“Depois de 15 anos, acho que o Ranking conquistou o direito de dizer que temos os nossos próprios critérios”, afirma. Ou seja, a avaliação não depende de simpatia pessoal nem de relação institucional com o parlamentar.

Independência, porém, não significa ausência de posição. A organização defende responsabilidade fiscal, eficiência do Estado, liberdade econômica, transparência e combate a privilégios.

“A nossa independência está em aplicar esses princípios para todo mundo, independentemente de partido, governo ou amizade”, diz o diretor-geral.

O financiamento segue a mesma lógica. Conforme o manual de metodologia, a entidade é mantida por doações de pessoas físicas e jurídicas. Partidos e organizações de natureza eleitoral não entram na conta.

Do ranqueamento ao debate público

Arruda chegou à organização em 2022 e enxergava o Ranking pela ferramenta que lhe dá nome. Depois, a percepção mudou.

“Hoje eu vejo o Ranking como uma organização capaz de participar de todo o ciclo do debate público”, afirma. Assim, a entidade produz estudos, acompanha votações e conversa com gabinetes, imprensa e sociedade civil.

A diferença aparece na pergunta que orienta o trabalho. Antes, a atuação se concentrava em mostrar ao cidadão o que o parlamentar fez. Hoje, o Ranking também pergunta o que o Congresso deveria fazer agora.

Esse movimento explica o lançamento do livro O Brasil Pode Dar Certo, apresentado em maio de 2026. São 221 páginas, seis eixos temáticos e mais de 25 autores entre economistas, juristas e especialistas em políticas públicas.

Como as notas dos parlamentares são calculadas

Em 2026, a organização implementou a maior atualização metodológica desde 2011. As votações respondem por 75% da nota base. Gastos da cota parlamentar e presença em sessões deliberativas valem 10% cada, e o uso de privilégios, 5%.

Além disso, dois bônus entraram na conta. Produção legislativa acrescenta até 0,6 ponto e articulação legislativa, até 0,4 ponto. Cada condenação judicial definitiva, por outro lado, reduz 0,5 ponto da nota final.

Conforme o manual, a seleção dos projetos avaliados passa pelo Conselho de Leis. O colegiado reúne ex-ministros do Supremo Tribunal Federal, ex-presidentes do Banco Central, ex-parlamentares e ex-ministros de Estado. Assim, uma proposta só entra na metodologia com a concordância de 70% dos membros.

Os dados vêm das APIs da Câmara e do Senado e de outras bases oficiais. Assim, correções feitas pelos próprios órgãos, como retificações de votações e justificativas de ausência, alteram a nota de forma automática.

Esse acompanhamento diário sustenta o Boletim Parlamentar, enviado aos gabinetes. O documento traz o posicionamento do Ranking em cada proposta e a pontuação correspondente. Nesse sentido, o parlamentar sabe antes como será avaliado.

Desde 2016, o desempenho no ranking define ainda os homenageados do Prêmio Excelência Parlamentar. São 100 nomes por edição, sendo 72 deputados federais e 18 senadores.

Reconhecimento internacional e a entrada em redes globais

A trajetória recente ampliou a presença da organização fora do Brasil. Desde 2024, o Ranking dos Políticos integra a On Think Tanks (OTT). A plataforma global apoia e estuda think tanks e centros de pesquisa em políticas públicas.

Além disso, a OTT mantém o Open Think Tank Directory, banco de dados público dessas instituições em todo o mundo. A organização também oferece consultoria, pesquisas e formação para o setor. A entrada no diretório funciona como reconhecimento formal do Ranking como think tank.

A lista de parcerias cresceu em seguida. A entidade passou a integrar a Atlas Network, que reúne centenas de institutos em mais de 100 países. Em abril de 2026, participou do ECOSOC Youth Forum, na sede da ONU, em Nova York.

Em julho de 2026, o Ranking entrou para a Rede Liberdade. A rede reúne think tanks brasileiros dedicados à liberdade econômica. Com isso, a organização acessa experiências de avaliação legislativa e de medição de transparência aplicadas em outros países.

Ambição para os próximos anos

Arruda descreve um objetivo específico para a próxima etapa. Quem quiser saber como um parlamentar votou deve pensar no Ranking de forma natural.

“Quero que sejamos uma instituição capaz de transformar informação em mudança concreta”, afirma. O objetivo é que um estudo ajude a alterar um projeto de lei e que uma campanha mobilize a sociedade. Desse modo, um parlamentar pensaria duas vezes antes de defender um privilégio.

Depois de 15 anos, o desafio é converter história e credibilidade em impacto. Para o diretor-geral, a razão de manter uma organização como essa em funcionamento cabe em uma frase.

“Votar é só o começo da democracia. Alguém precisa continuar olhando, cobrando e lembrando aos políticos, todos os dias, que o poder que eles exercem pertence ao cidadão.”