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A participação do Ranking dos Políticos no IFL BH aconteceu na noite de 17 de agosto, em Belo Horizonte. Juan Carlos Arruda, diretor-geral da organização, foi o convidado do evento ordinário do Instituto de Formação de Líderes. Sob o tema “Que tipo de Brasil vai sair das urnas”, a palestra tratou do cenário de outubro. O encontro ocorreu no The One, na Avenida Raja Gabáglia.
Arruda representou a organização que integra desde 2020 e dirige atualmente. Criado em 2011, o Ranking dos Políticos avalia deputados federais e senadores em exercício. Entre os critérios estão assiduidade, uso de verbas de gabinete, fidelidade partidária e histórico de corrupção.
Além disso, a organização chega a 2026 com 15 anos de trabalho e 594 parlamentares monitorados. Em maio, a organização premiou os 100 congressistas mais bem avaliados da 57ª Legislatura. A Câmara dos Deputados também já concedeu ao Ranking a Medalha do Mérito Legislativo. Por isso, a conversa em Belo Horizonte partiu de dados públicos, e não de leitura de conjuntura.
O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro. Nessa data, o eleitor escolhe seis cargos em sequência na urna eletrônica. Entram na conta 513 deputados federais e 54 senadores, ou dois terços do Senado. Consequentemente, a próxima legislatura começa a ser definida agora.
A propaganda eleitoral começou em 16 de agosto, um dia antes do encontro. Com isso, a palestra alcançou a plateia no primeiro fim de semana de campanha aberta.
Questionado sobre o próprio tema da palestra, Arruda descreveu um país dividido no topo e estável na base. Na Presidência, Lula segue favorito nas pesquisas mais recentes, porém o segundo turno aparece dentro da margem de erro. No Congresso, disse ele, o retrato é quase oposto.
Segundo o diretor-geral, a Câmara deve mudar pouco. O levantamento do Diap mostra 87,3% dos deputados dispostos a tentar a reeleição, a maior taxa desde 1990. Por isso, na avaliação dele, a renovação real vai acontecer no Senado, onde dois terços das vagas estão em disputa.
Arruda somou a esse quadro a pressão sobre o eleitor. As famílias endividadas chegaram a 82% em julho, recorde da série da CNC. Além disso, segurança pesa mais que qualquer pauta de campanha e a abstenção sobe desde 2006.
“O resultado de outubro decide o Planalto, mas muda menos do resto do jogo do que a cobertura sugere”, afirmou.
A votação começa pelo deputado federal, antes de estadual, senador, governador e presidente. Ainda assim, a maior parte da atenção pública fica na disputa presidencial. Mais de 155 milhões de eleitores estão aptos a votar neste ano. Nesse ponto entra a avaliação parlamentar apresentada no evento.
Para o diretor-geral do Ranking, esse desequilíbrio tem explicação. “A lógica eleitoral protege quem já está lá”, afirmou. A Câmara combina limite de candidaturas por vaga, cláusula de barreira de 2,5% dos votos válidos e acesso privilegiado ao fundo eleitoral.
Some a isso uma lista com dezenas de nomes por estado e uma decisão proporcional. Do outro lado da urna, a disputa presidencial é binária e decidida no tapa. Consequentemente, o titular chega blindado antes mesmo de a campanha começar.
Na avaliação dele, não é falta de importância, e sim assimetria de atenção. “Nosso trabalho existe justamente para essa lacuna”, disse. A ideia é dar ao eleitor um critério público para avaliar o mandato de quem ele elegeu.
Fundado em 2011 pelo empresário Salim Mattar, o IFL BH reúne mais de 2 mil associados. A entidade é civil, sem fins lucrativos e sem vínculo partidário. Seu ciclo de formação combina leituras, debates e encontros com convidados.

Para o Ranking dos Políticos, a plateia interessa. Afinal, cobrar o Congresso depende de gente disposta a checar dados antes de votar.
Arruda explicou por que esse público entra na estratégia da organização. Muda o ângulo, não o dado. Em Brasília, a conversa é sobre a engrenagem, ou seja, quem tem os votos e qual bloco decide uma pauta.
Com o empresariado mineiro, o assunto é o que essa engrenagem significa para o negócio. Entram na conta previsibilidade regulatória, custo do crédito e clima de consumo. Hoje esse clima está pressionado pelo recorde de endividamento e pela percepção de alta de preços.
Minas é um caso à parte neste ciclo. Pelo mapeamento que a organização levou ao IFL BH, o estado está entre os onze onde nenhum dos dois palanques presidenciais aparece competitivo na disputa ao governo. Dessa forma, o debate local roda mais em torno de economia e gestão do que da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Arruda volta à capital mineira em 4 de setembro. Ele está na lista de palestrantes da 17ª edição do Fórum Liberdade e Democracia, na Sala Minas Gerais. O tema da edição é “Coragem para Liderar”. A programação reúne empresários, executivos, jornalistas e parlamentares.
Até lá, faltam menos de dois meses para o primeiro turno. Quem quiser conferir a nota do próprio deputado ou senador pode consultar a plataforma antes de votar. A escolha feita em outubro vale pelos próximos quatro anos.