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Eleições
September 01, 2026

O que os candidatos prometem para a política externa

O que os candidatos prometem para a política externa
Photo: Conheça as propostas dos candidatos à Presidência para as relações internacionais do Brasil | Ranking dos Políticos

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O que os candidatos prometem para a política externa cabe, em boa parte, em três frases repetidas. Ampliar parcerias comerciais, abrir mercados e reforçar o Mercosul aparecem em todos os planos entregues ao TSE. As divergências começam quando entram Brics, China e Estados Unidos.

Os documentos estão disponíveis no DivulgaCandContas, sistema oficial da Justiça Eleitoral. Neles, a extensão varia de 7 a 200 páginas, segundo levantamento do Poder360.

Onde os planos da política externa se parecem

Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (AVANTE), Renan Santos (MISSÃO), Romeu Zema (NOVO) e Ronaldo Caiado (PSD) dedicaram seções específicas ao tema. Os textos convergem na defesa de novos acordos e de maior presença brasileira na Ásia e na África, conforme comparação das propostas registradas.

Flávio Bolsonaro inclui a adesão do Brasil à OCDE e a internacionalização de pequenas empresas via BNDES e Apex. Caiado prioriza Ásia, África e Indo-Pacífico, além de pedir mais transferência de tecnologia nos acordos.

Renan Santos propõe parcerias com Vietnã e Filipinas e integração maior com países de língua portuguesa. Além disso, defende autonomia completa do ciclo do combustível nuclear como ativo de dissuasão.

Augusto Cury trata o tema da política externa pelo lado do valor agregado. O plano do Avante propõe reduzir a exportação de terras raras em estado bruto e projetar o Brasil como referência em hidrogênio verde. O documento inclui ainda um fundo internacional de apoio à agricultura familiar contra a fome.

Brics e Mercosul separam as candidaturas

Sair do Brics custa pouco

Zema é o único que promete retirar o Brasil do Brics, conforme o resumo dos planos. O grupo não tem tratado constitutivo, sede fixa nem secretariado permanente. Uma saída depende de decisão do Executivo e de comunicação aos demais membros.

Lula segue no caminho oposto. Em fevereiro, chegou a sugerir que o Brics substitua o G20 como principal fórum econômico mundial. Renan Santos, por sua vez, fala em postura pragmática e menos dependência da China.

Mexer no Mercosul depende dos vizinhos

Zema também quer transformar o bloco em zona de livre comércio, o que significa desmontar a união aduaneira. A mudança altera a Tarifa Externa Comum e exige acordo entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Desde 2000, a Decisão CMC 32/00 obriga os sócios a negociar acordos comerciais em conjunto. Por isso, qualquer abertura unilateral esbarra em regra que o país assinou e nunca denunciou. Nenhum plano explica como resolver esse ponto.

O acordo com a União Europeia já está valendo

Caiado promete consolidar o entendimento entre Mercosul e União Europeia. O texto, contudo, já passou pelo Congresso. Os parlamentares promulgaram o Decreto Legislativo 14 em março de 2026.

A parte comercial entrou em vigor provisória em 1º de maio, depois da promulgação por decreto presidencial. Faltam a ratificação nos parlamentos europeus e o cumprimento dos cronogramas de redução tarifária.

O próximo presidente não vai negociar esse acordo. Vai administrar cotas, regras de origem e salvaguardas já pactuadas. A promessa de campanha, portanto, descreve uma tarefa administrativa, não uma decisão política.

A tarifa americana continua na mesa

Os Estados Unidos aplicaram sobretaxas a produtos brasileiros em julho, com base na Seção 301 da lei de comércio de 1974. As alíquotas somadas chegam a 37,5% em parte da pauta exportadora, e o prazo do USTR venceu sem acordo.

Brasil e Estados Unidos retomaram as conversas técnicas em 31 de agosto, após telefonema entre os dois presidentes. Nenhuma sobretaxa caiu até agora. O governo brasileiro também acionou a OMC e abriu processo de reciprocidade.

Nenhum plano de governo diz o que o Brasil ofereceria em troca. Minerais críticos e Pix aparecem entre os pontos de atrito nas negociações, mas ficam de fora dos documentos de campanha.

O que quase nenhum plano responde

Acordo comercial não entra em vigor por canetada. Cada texto precisa de decreto legislativo aprovado pela Câmara e pelo Senado. Dessa forma, a agenda externa do próximo mandato depende do Congresso eleito em outubro.

A adesão à OCDE segue a mesma lógica. O roteiro de acessão foi aprovado em 2022, e o Brasil precisa convergir com centenas de instrumentos normativos da organização, conforme análise do Ipea. A decisão final cabe aos países-membros, não a Brasília.

Há ainda quem não trate do assunto. O plano de Wilson Grassi, do Partido Democrata, não apresenta diretrizes de política externa e registra que os critérios serão definidos com o Itamaraty depois da eleição.

A vizinhança também aparece pouco. O Brasil classificou a ação militar americana contra Nicolás Maduro como precedente perigoso, em nota conjunta com outros cinco países. Ainda assim, nenhum documento indica como o país agiria diante de novo episódio na região.

Quem lê os planos encontra listas de destinos e de boas intenções. Encontra pouco sobre instrumentos, prazos e custos. A distância entre as candidaturas está menos no mapa e mais no que cada uma admite ceder para conseguir o que promete.