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Eleições
October 06, 2026

Não votei no primeiro turno, e agora?

Não votei no primeiro turno, e agora?
Photo: Não votei no primeiro turno, e agora? | Ranking dos Políticos

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Quem diz “não votei no primeiro turno” e teme ter perdido o direito ao voto pode ficar tranquilo. O eleitor com título regular vota normalmente no segundo turno, marcado para 25 de outubro, sem nenhuma etapa prévia.

Isso porque cada turno é uma eleição independente. Porém, a falta do dia 4 continua registrada e precisa ser resolvida até dezembro.

Não votei no primeiro turno, posso votar no segundo?

Sim, você pode votar no segundo turno. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, basta estar com o título regular para votar no dia 25. Além disso, não é preciso justificar a falta antes de votar.

Jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 e analfabetos têm voto facultativo e não precisam justificar. Por outro lado, quem estava no exterior no dia 4 tem até 30 dias após voltar ao Brasil para justificar.

A falta do dia 4 continua no histórico do eleitor

Votar no segundo turno não apaga a ausência do primeiro. O prazo para justificar a falta termina em 3 de dezembro de 2026, sem prorrogação prevista. O pedido pode ser feito pelo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral ou em qualquer cartório.

Justificar depois da eleição exige comprovante

No dia da votação, a justificativa dispensa provas. Contudo, depois dela a regra muda. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o juiz da zona eleitoral analisa a documentação enviada antes de aceitar o pedido.

Servem, por exemplo, um atestado médico ou um bilhete de viagem. Se o pedido for recusado, resta pagar a multa, a outra forma de regularizar a situação com a Justiça Eleitoral.

Quanto custa deixar de votar

A multa varia de R$ 1,05 a R$ 3,51 por turno, ou seja, quem faltar aos dois turnos de 2026 paga no máximo R$ 7,02.

O valor está congelado desde 1993, e um projeto em análise no Senado propõe fixar a multa em R$ 5 por ausência. Enquanto isso, o pagamento pode ser feito por Pix, cartão de crédito ou boleto no próprio e-Título.

Quem comprovar dificuldade financeira pode pedir ao juiz a redução ou a dispensa da multa na sua zona eleitoral. Assim, nem o custo baixo serve de barreira para a regularização.

O custo real está na quitação eleitoral

O valor baixo esconde o problema maior. Sem justificar nem pagar, o eleitor fica sem a certidão de quitação eleitoral, exigida em vários atos civis.

Com isso, ficam travados o passaporte e a carteira de identidade. Da mesma forma, o eleitor irregular não pode se inscrever em concurso público nem obter empréstimo em entidade pública. Servidores públicos podem ainda ficar sem o salário.

Cada turno conta como uma eleição

A Justiça Eleitoral permite justificar a ausência quantas vezes forem necessárias. Na verdade, o risco aparece quando a falta fica sem resposta. O TSE explica que três ausências seguidas, sem justificativa nem multa paga, podem levar ao cancelamento do título.

Para essa conta, cada turno vale como uma eleição. Dessa forma, quem faltar no dia 4 e no dia 25 sem regularizar nada soma duas faltas na mesma eleição. A próxima ausência, já na eleição seguinte, pode bastar para o cancelamento.

Quem estará fora da cidade no dia 25

A justificativa no dia da votação só vale para quem está fora do município onde vota. Nesse caso, o e-Título usa a localização do celular para confirmar a ausência, sem pedir comprovante.

Também é possível entregar em papel o Requerimento de Justificativa Eleitoral, o RJE. Para isso, o TSE exige um documento oficial com foto, mas dispensa a prova do motivo.

Por outro lado, quem estiver na própria cidade e não for à urna não consegue justificar no dia. Restam o pedido com documentos ou a multa. Para a falta no segundo turno, o prazo vai até 8 de janeiro de 2027.

A abstenção supera a distância entre Flávio e Lula

A cobertura sobre o tema costuma parar nas regras de justificativa. No entanto, os números do primeiro turno mostram o peso de quem fica em casa.

Segundo a Agência Brasil, mais de 33,4 milhões de eleitores faltaram no dia 4, uma abstenção de 21,08%. Foi o maior índice num primeiro turno de eleições gerais desde 1998.

Ao mesmo tempo, os dados do TSE mostram Flávio Bolsonaro com 56,1 milhões de votos e Lula com 53,9 milhões. A diferença ficou em cerca de 2,2 milhões. Portanto, os ausentes somam quase 15 vezes a vantagem do primeiro colocado e têm peso real sobre quem governa a partir de 2027.

O que o primeiro turno já decidiu

O segundo turno escolhe apenas o presidente e, em alguns estados, o governador. As 513 vagas da Câmara e as 54 do Senado foram definidas no dia 4. Além disso, a eleição para senador não tem segundo turno em nenhum estado.

Por isso, quem faltou não escolheu quem vai votar leis, aprovar o Orçamento e fiscalizar o próximo governo. Os deputados federais cumprem quatro anos de mandato, e os senadores eleitos agora ficam oito, entre 2027 e 2035.

O Ranking dos Políticos acompanha a atuação de deputados federais e senadores ao longo do mandato. Com isso, quem faltou no dia 4 ainda pode cobrar os eleitos com base em dados. No dia 25, a escolha do presidente segue aberta para quem decidir comparecer.