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A cota parlamentar em 2026 já soma R$ 138,2 milhões na Câmara dos Deputados, com dados até 7 de outubro. A maior fatia, R$ 51,3 milhões, pagou a divulgação dos próprios mandatos, segundo o portal de gastos parlamentares da Câmara. O valor representa 37,1% de tudo o que foi gasto no ano.
Na média, cada um dos 513 deputados usou cerca de R$ 100 mil para divulgar o que fez no cargo. O dinheiro sai da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, verba separada do salário de R$ 46,3 mil e com valor diferente para cada estado.
A cota cobre locação de veículos, combustíveis, escritórios e divulgação, entre outras despesas ligadas ao mandato. Depois da propaganda, o maior gasto foi o aluguel de carros, com R$ 33,2 milhões. Em seguida vêm os escritórios de apoio nos estados, com R$ 24,3 milhões, e o combustível, com R$ 17,4 milhões.
Ou seja, carros e combustível custaram juntos R$ 50,6 milhões, quase o mesmo valor da divulgação. As demais despesas somam R$ 12 milhões.
Deputados candidatos não podem usar a cota para divulgação nos 120 dias anteriores à eleição, conforme ato da Mesa da Câmara. Como o primeiro turno aconteceu em 4 de outubro, a proibição começou no início de junho.
Por isso, a corrida aconteceu antes. Até maio, os deputados já tinham gastado R$ 49,2 milhões com divulgação, cerca de 40% de toda a cota no período. No mesmo intervalo de 2023, o gasto foi de R$ 28,9 milhões.
Em 2025, sem restrição eleitoral, a Câmara gastou R$ 101,8 milhões com divulgação ao longo do ano inteiro. A média ficou em R$ 8,5 milhões por mês. Entre janeiro e maio de 2026, a média subiu para R$ 9,8 milhões mensais.
Dessa forma, cerca de 96% de toda a divulgação do ano foi paga antes da proibição. A regra impediu o gasto nos meses de campanha, mas não reduziu o volume.
A rubrica paga a publicação de conteúdos em redes sociais e em meios de comunicação. Porém, quando o gasto dispara justamente no ano eleitoral, fica difícil separar prestação de contas e pré-campanha.
Além disso, quem disputa uma vaga pela primeira vez paga a própria divulgação. O deputado no cargo contou com cerca de R$ 100 mil de dinheiro público para o mesmo fim. Com isso, a disputa começa desigual antes mesmo da campanha oficial.
No Senado, a proibição vale por 180 dias antes da eleição para senadores candidatos. Mesmo assim, os senadores gastaram R$ 2,2 milhões com divulgação nos cinco primeiros meses do ano, o segundo maior valor da série.
O novo Congresso toma posse em fevereiro de 2027. Até lá, o portal da Câmara segue mostrando cada nota fiscal, com fornecedor e valor. Esses dados permitem ao eleitor cobrar de cada deputado se a cota serve ao mandato ou à próxima campanha.