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September 08, 2026

Ranking dos Políticos lança nota cobrando investigação sobre Caso Master

Ranking dos Políticos lança nota cobrando investigação sobre Caso Master
Photo: Ranking dos Políticos divulga nota oficial cobrando investigação sobre o Caso Master | Ranking dos Políticos

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O Ranking dos Políticos divulgou nesta terça-feira (8) uma nota sobre a crise do caso Master. O documento pede investigação independente, o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes e uma resposta do Senado Federal.

A manifestação saiu no mesmo dia em que o ministro André Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Para a organização, a decisão reforça a gravidade das denúncias.

O que a nota do Ranking dos Políticos pede no caso Master

Infográfico com a linha do tempo do Caso Master, detalhando os eventos desde a prisão de Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero até o afastamento do diretor-geral da PF.
Cronologia dos principais desdobramentos do Caso Master entre novembro de 2025 e setembro de 2026.

O texto parte da preocupação com a crise institucional aberta pelas investigações do Banco Master. As suspeitas atingem autoridades do Supremo Tribunal Federal, da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal.

A nota defende o afastamento cautelar de Moraes pelos meios juridicamente cabíveis, mediante decisão fundamentada da autoridade competente. A medida serviria para proteger a apuração, sem antecipar um julgamento de responsabilidade.

Além disso, o documento pede que Paulo Gonet e Andrei Rodrigues não conduzam nem revisem procedimentos sobre fatos que envolvam suas próprias condutas. Ao Senado, e em especial ao presidente Davi Alcolumbre, cobra resposta compatível com a gravidade do momento.

A tese central do documento

Instituições responsáveis por investigar, acusar e julgar precisam ser as primeiras a se submeter ao controle. Nenhum cargo público confere imunidade ao escrutínio, e nenhuma autoridade está acima da lei.

Nesse sentido, a nota separa duas coisas que costumam ser tratadas como uma só. Defender a instituição não significa proteger quem ocupa seus cargos.

Leia a íntegra do documento:

A decisão que tirou o diretor-geral da PF do posto

Mendonça afastou Andrei Rodrigues do comando da corporação nesta terça-feira. O diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, também deixou o cargo.

O ministro atendeu a pedido do partido Novo, que também havia solicitado a prisão do delegado. Na mesma decisão, suspendeu a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência sobre atos do Judiciário, da advocacia pública e da própria polícia judiciária.

Mendonça ainda acionou a Corregedoria da PF para apurar como esses relatórios foram produzidos. Segundo ele, o material não permite verificar autoria nem data de elaboração.

A reação dentro da corporação

Onze diretores da Polícia Federal divulgaram nota de apoio aos dois afastados. Todos colocaram os cargos à disposição do diretor-geral substituto.

A liminar foi levada à Segunda Turma no mesmo dia. Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator, porém Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu o julgamento.

O relatório que expôs a relação entre Vorcaro e Moraes

A crise começou com um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal. O documento saiu da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero.

A PF entregou o material a Mendonça em 27 de agosto. O sigilo caiu em 1º de setembro, por decisão do próprio relator.

O relatório reúne mensagens trocadas com um contato salvo com o nome do ministro. Também descreve o contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado, com pagamentos mensais de R$ 3 milhões.

Em uma das conversas, dois dias antes da prisão, Vorcaro pergunta se precisaria deixar o país. Outra mensagem pede que dois interlocutores sejam acionados, e a investigação atribui os nomes citados a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

A PGR contesta a apuração

Gonet pediu a nulidade do relatório no mesmo 1º de setembro. Para o procurador-geral, Mendonça impôs uma investigação sobre um colega de Corte sem passar pelo plenário do Supremo.

A Procuradoria afirma que a decisão foi ocultada do Ministério Público. Com isso, teria ficado impedida de exercer o controle externo da atividade policial.

Gonet, que é citado no próprio relatório, também pediu apuração sobre suposta interferência de Mendonça na Polícia Federal. O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para analisar a conduta dele.

O Senado ainda não deu resposta

Depois da divulgação das mensagens, senadores protocolaram novos pedidos de impeachment contra Moraes. Alcolumbre, porém, sinalizou que não pretende dar andamento a eles.

O presidente da Casa citou a existência de 109 requerimentos contra ministros do Supremo e classificou o número como anormal. Aliados afirmam que ele prefere aguardar uma definição do próprio STF.

A nota do Ranking dos Políticos não trata de impeachment. Cobra apenas que o Senado se manifeste, já que a Constituição atribui à Casa o julgamento de crimes de responsabilidade de ministros do Supremo.

O que está em jogo além dos nomes citados

O caso mistura três funções que deveriam se fiscalizar entre si. Quem investiga, quem acusa e quem julga aparecem no mesmo conjunto de suspeitas.

Enquanto isso, as decisões seguem adiadas. O afastamento de Andrei depende de um julgamento suspenso, o pedido de nulidade da PGR aguarda o plenário e os requerimentos no Senado continuam parados.

Cada adiamento cobra um preço. A confiança nos mecanismos de fiscalização não se sustenta quando o controle depende da vontade de quem seria controlado.

Brasília, 08 de setembro de 2026 Ranking dos Políticos