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Política
October 24, 2026

Cartão corporativo: Lula lidera até 2022, mas gasta menos que Bolsonaro no 3º mandato

Cartão corporativo: Lula lidera até 2022, mas gasta menos que Bolsonaro no 3º mandato
Photo: Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula | Ranking dos Políticos

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Lula (PT) é o presidente que mais gastou com o cartão corporativo da Presidência entre 2003 e 2022. O dado consta da planilha liberada em janeiro de 2023 pela Secretaria-Geral da Presidência, a pedido da agência Fiquem Sabendo.

No atual mandato, porém, o quadro se inverte. Dados do Portal da Transparência compilados pelo Aos Fatos mostram que Lula gastou menos que Jair Bolsonaro (PL). Isso vale para o gabinete do presidente e para toda a Presidência.

A dúvida chegou aos assuntos mais buscados do Google após o debate da TV Globo, na sexta-feira (23). Na ocasião, Flávio Bolsonaro (PL) disse que Lula gastou mais que o pai. A checagem do Terra classificou a afirmação como falsa.

Quem gastou mais no cartão corporativo, Lula ou Bolsonaro

A resposta depende do recorte. O Aos Fatos aplicou os mesmos filtros do portal aos dois governos, em valores nominais. Os dados cobrem 2019 a 2022, com Bolsonaro, e 2023 a 2025, com Lula. Como os períodos têm tamanhos diferentes, a média anual ajuda na comparação.

Gabinete do presidente

A Secretaria de Administração da Presidência concentra as despesas ligadas diretamente ao presidente. Nela, Bolsonaro gastou cerca de R$ 42 milhões, contra R$ 20,4 milhões de Lula. Por ano, a média fica em R$ 10,5 milhões e R$ 6,8 milhões, respectivamente.

Toda a Presidência

O recorte amplo inclui a Abin e o Gabinete de Segurança Institucional. Mesmo assim, a diferença se mantém. Foram R$ 82,4 milhões sob Bolsonaro e R$ 45,2 milhões sob Lula. Por ano, isso equivale a R$ 20,6 milhões e R$ 15,1 milhões.

Governo federal inteiro

Nesse caso, o governo Lula gastou mais. Foram cerca de R$ 1,4 bilhão em três anos, contra R$ 1 bilhão em quatro anos de Bolsonaro. Os valores somam três modalidades de cartão em todos os órgãos federais.

No entanto, a maior parte do gasto petista saiu do cartão da Defesa Civil. Segundo o Estado de Minas, foram cerca de R$ 1,1 bilhão, sobretudo em resposta a desastres. Por isso, posts que opõem esse total aos gastos do gabinete de Bolsonaro enganam o leitor.

Bolsonaro x Lula no cartão corporativo Mesmos filtros do Portal da Transparência para os dois governos, em valores nominais
Bolsonaro: 2019 a 2022 (quatro anos). Lula: 2023 a 2025 (três anos). Cada painel tem escala própria.
Gabinete do presidenteSecretaria de Administração da Presidência
Jair Bolsonaro2019–2022R$ 42 mi
Lula2023–2025R$ 20,4 mi
Toda a PresidênciaInclui Abin e Gabinete de Segurança Institucional
Jair Bolsonaro2019–2022R$ 82,4 mi
Lula2023–2025R$ 45,2 mi
Governo federalTrês tipos de cartão, todos os órgãos
Jair Bolsonaro2019–2022≈ R$ 1 bi
Lula2023–2025R$ 1,4 bi
Total dividido pelo número de anos de cada período. Cada painel tem escala própria.
Gabinete do presidenteSecretaria de Administração da Presidência
Jair Bolsonaro2019–2022R$ 10,5 mi
Lula2023–2025R$ 6,8 mi
Toda a PresidênciaInclui Abin e Gabinete de Segurança Institucional
Jair Bolsonaro2019–2022R$ 20,6 mi
Lula2023–2025R$ 15,1 mi
Governo federalTrês tipos de cartão, todos os órgãos
Jair Bolsonaro2019–2022≈ R$ 250 mi
Lula2023–2025R$ 479 mi
No governo federal, cerca de R$ 1,1 bilhão do gasto de Lula saiu do cartão da Defesa Civil, usado em desastres (Estado de Minas). Fonte: Aos Fatos, com dados do Portal da Transparência; médias calculadas pelo Ranking dos Políticos. Fotos: retratos oficiais, Wikimedia Commons (Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula). Arte: Ranking dos Políticos

Quanto cada presidente gastou de 2003 a 2022

Em valores corrigidos pela inflação, o primeiro mandato de Lula soma R$ 59,1 milhões. O segundo vem logo atrás, com R$ 47,9 milhões. Dilma Rousseff (PT) gastou R$ 42,4 milhões de 2011 a 2014.

No segundo mandato de Dilma, interrompido pelo impeachment, foram R$ 10,2 milhões. Michel Temer (MDB) somou R$ 15,3 milhões, enquanto Bolsonaro registrou R$ 32,7 milhões.

Em 2024, uma atualização da planilha elevou o valor de Bolsonaro para R$ 41,2 milhões nominais. Corrigido pela inflação, o total chega a cerca de R$ 46 milhões. Ainda assim, fica abaixo dos dois primeiros mandatos de Lula.

Quem mais gastou com o cartão corporativo de 2003 a 2022 Despesas ligadas diretamente aos presidentes, em valores corrigidos pela inflação
Em R$ milhões, corrigidos pela inflação até janeiro de 2023
Lula2003–200659,1
Lula2007–201047,9
Dilma Rousseff2011–201442,4
Jair Bolsonaro2019–202232,7*
Michel Temer2016–201815,3
Dilma Rousseff2015–201610,2
* Atualização da planilha em 2024 elevou o total de Bolsonaro para R$ 41,2 milhões nominais, cerca de R$ 46 milhões corrigidos (Aos Fatos).
Média por ano, em R$ milhões corrigidos pelo IPCA até dezembro de 2022
Lula2004–201013,6
Jair Bolsonaro2019–202211,3
Dilma Rousseff2011–201510,2
Michel Temer2017–20186,3
Considera só os anos completos de cada governo. O Portal da Transparência não tem dados de 2003.
Fontes: planilha da Secretaria-Geral da Presidência obtida pela Fiquem Sabendo; BBC News Brasil, com dados do Portal da Transparência. Fotos: retratos oficiais, Wikimedia Commons (Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula). Arte: Ranking dos Políticos

Média anual mantém Lula na frente

Como os mandatos têm durações distintas, a BBC News Brasil calculou a média anual de cada governo até 2022. Com valores corrigidos pelo IPCA, Lula aparece com R$ 13,6 milhões por ano. Em seguida vêm Bolsonaro, com R$ 11,3 milhões, Dilma, com R$ 10,2 milhões, e Temer, com R$ 6,3 milhões.

Sigilo dificulta a análise do mandato atual

Em julho de 2025, o TCU analisou os gastos de janeiro de 2023 a abril de 2025. O tribunal apontou R$ 55,5 milhões gastos pela Presidência, com 99,55% sob sigilo. Diante disso, a corte exigiu um plano de ação para corrigir falhas de transparência.

Outros levantamentos usam recortes próprios e chegam a valores distintos. Um exemplo são os R$ 84,5 milhões apurados pelo Times Brasil até agosto de 2026. Por isso, a comparação mais segura aplica os mesmos filtros aos dois governos. A Presidência, por sua vez, afirma seguir a legislação.

Quando os dados serão abertos

A Lei de Acesso à Informação permite reservar dados que ameacem a segurança do presidente, do vice e de familiares. O sigilo vale até o fim do mandato ou, em caso de reeleição, até o fim do último.

Foi essa regra que permitiu abrir os gastos de Bolsonaro após a saída dele do cargo. No caso de Lula, a abertura ocorre ao fim do mandato ou, se ele for reeleito, em 2031.

Ou seja, Lula lidera a série de 2003 a 2022. No atual mandato, porém, gasta menos que Bolsonaro, conforme os dados disponíveis. A conferência completa, contudo, depende do fim do sigilo.


Alan Martins é jornalista, designer gráfico e analista de comunicação do Ranking dos Políticos