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Lula (PT) é o presidente que mais gastou com o cartão corporativo da Presidência entre 2003 e 2022. O dado consta da planilha liberada em janeiro de 2023 pela Secretaria-Geral da Presidência, a pedido da agência Fiquem Sabendo.
No atual mandato, porém, o quadro se inverte. Dados do Portal da Transparência compilados pelo Aos Fatos mostram que Lula gastou menos que Jair Bolsonaro (PL). Isso vale para o gabinete do presidente e para toda a Presidência.
A dúvida chegou aos assuntos mais buscados do Google após o debate da TV Globo, na sexta-feira (23). Na ocasião, Flávio Bolsonaro (PL) disse que Lula gastou mais que o pai. A checagem do Terra classificou a afirmação como falsa.
A resposta depende do recorte. O Aos Fatos aplicou os mesmos filtros do portal aos dois governos, em valores nominais. Os dados cobrem 2019 a 2022, com Bolsonaro, e 2023 a 2025, com Lula. Como os períodos têm tamanhos diferentes, a média anual ajuda na comparação.
A Secretaria de Administração da Presidência concentra as despesas ligadas diretamente ao presidente. Nela, Bolsonaro gastou cerca de R$ 42 milhões, contra R$ 20,4 milhões de Lula. Por ano, a média fica em R$ 10,5 milhões e R$ 6,8 milhões, respectivamente.
O recorte amplo inclui a Abin e o Gabinete de Segurança Institucional. Mesmo assim, a diferença se mantém. Foram R$ 82,4 milhões sob Bolsonaro e R$ 45,2 milhões sob Lula. Por ano, isso equivale a R$ 20,6 milhões e R$ 15,1 milhões.
Nesse caso, o governo Lula gastou mais. Foram cerca de R$ 1,4 bilhão em três anos, contra R$ 1 bilhão em quatro anos de Bolsonaro. Os valores somam três modalidades de cartão em todos os órgãos federais.
No entanto, a maior parte do gasto petista saiu do cartão da Defesa Civil. Segundo o Estado de Minas, foram cerca de R$ 1,1 bilhão, sobretudo em resposta a desastres. Por isso, posts que opõem esse total aos gastos do gabinete de Bolsonaro enganam o leitor.
Em valores corrigidos pela inflação, o primeiro mandato de Lula soma R$ 59,1 milhões. O segundo vem logo atrás, com R$ 47,9 milhões. Dilma Rousseff (PT) gastou R$ 42,4 milhões de 2011 a 2014.
No segundo mandato de Dilma, interrompido pelo impeachment, foram R$ 10,2 milhões. Michel Temer (MDB) somou R$ 15,3 milhões, enquanto Bolsonaro registrou R$ 32,7 milhões.
Em 2024, uma atualização da planilha elevou o valor de Bolsonaro para R$ 41,2 milhões nominais. Corrigido pela inflação, o total chega a cerca de R$ 46 milhões. Ainda assim, fica abaixo dos dois primeiros mandatos de Lula.
Como os mandatos têm durações distintas, a BBC News Brasil calculou a média anual de cada governo até 2022. Com valores corrigidos pelo IPCA, Lula aparece com R$ 13,6 milhões por ano. Em seguida vêm Bolsonaro, com R$ 11,3 milhões, Dilma, com R$ 10,2 milhões, e Temer, com R$ 6,3 milhões.
Em julho de 2025, o TCU analisou os gastos de janeiro de 2023 a abril de 2025. O tribunal apontou R$ 55,5 milhões gastos pela Presidência, com 99,55% sob sigilo. Diante disso, a corte exigiu um plano de ação para corrigir falhas de transparência.
Outros levantamentos usam recortes próprios e chegam a valores distintos. Um exemplo são os R$ 84,5 milhões apurados pelo Times Brasil até agosto de 2026. Por isso, a comparação mais segura aplica os mesmos filtros aos dois governos. A Presidência, por sua vez, afirma seguir a legislação.
A Lei de Acesso à Informação permite reservar dados que ameacem a segurança do presidente, do vice e de familiares. O sigilo vale até o fim do mandato ou, em caso de reeleição, até o fim do último.
Foi essa regra que permitiu abrir os gastos de Bolsonaro após a saída dele do cargo. No caso de Lula, a abertura ocorre ao fim do mandato ou, se ele for reeleito, em 2031.
Ou seja, Lula lidera a série de 2003 a 2022. No atual mandato, porém, gasta menos que Bolsonaro, conforme os dados disponíveis. A conferência completa, contudo, depende do fim do sigilo.
Alan Martins é jornalista, designer gráfico e analista de comunicação do Ranking dos Políticos