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03 de novembro, 2026

Sobrevivente do ataque do Hamas, Rafael Zimerman relata em Brasília como escapou do 7 de outubro

Sobrevivente do ataque do Hamas, Rafael Zimerman relata em Brasília como escapou do 7 de outubro
Foto: Encontro em Brasília em que Rafael Zimerman, sobrevivente do ataque do Hamas, relatou como escapou do 7 de outubro | Foto: Reprodução

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O brasileiro Rafael Zimerman, sobrevivente do ataque do Hamas ao festival Nova, contou sua história em Brasília em 29 de outubro. O encontro “Sobrevivendo a um atentado terrorista” ocorreu no Café Angelita, na Asa Sul, e incluiu um debate sobre a geopolítica do Oriente Médio.

A realização foi do Students For Liberty Brasil, do LOLA Brasil e do Ranking dos Políticos. A StandWithUs Brasil, organização em que Rafael atua como educador, apoiou o evento.

Quem é o sobrevivente do ataque do Hamas

Rafael trabalhava no mercado financeiro em São Paulo. Depois de duas tentativas de assalto, mudou-se para Israel em maio de 2023. Lá, trabalhava como garçom em um hotel.

Em 7 de outubro, ele estava no festival com o amigo Ranani Glazer e a namorada dele, Rafaela Treistman. O grupo se abrigou em um bunker com cerca de 40 pessoas. Terroristas atacaram o local com granadas, e Ranani morreu. Rafael acordou sob corpos e se fingiu de morto.

Apenas nove pessoas saíram vivas do abrigo. Em todo o país, o ataque deixou cerca de 1.200 mortos e 251 sequestrados. Ranani, Bruna Valeanu e Karla Stelzer Mendes foram as vítimas brasileiras.

A volta no último voo da FAB

Rafael morava havia cinco meses em Israel. Em uma ligação, a mãe perguntou se ele voltaria, e a resposta foi não. Ele queria ficar para ajudar como voluntário. Meia hora depois, soube que o último voo da FAB sairia de Israel em dois dias.

A Operação Voltando em Paz trouxe 1.413 passageiros em oito voos da FAB. O último pousou no Rio em 23 de outubro de 2023. Rafael voltou sem avisar ninguém e fez surpresa para a família.

“Fiz surpresa para o meu pai, fiz para todo mundo. Só que mãe é mãe. Descobri depois que a minha mãe ficou pior do que eu. Ela ficou muito mal mesmo.Rafael ZimermanSobrevivente do ataque do Hamas

As mulheres esquecidas do 7 de outubro

Diante de integrantes do LOLA, rede de mulheres liberais, Rafael cobrou atenção às vítimas femininas do ataque. Em março de 2024, a ONU apontou razões para crer que houve estupro e estupro coletivo naquele dia.

“As mulheres que sofreram violência nesse dia não foram defendidas. O movimento feminista falou depois das mulheres e das crianças de Gaza mortas em bombardeios, o que é horrível. Mas sobre esse dia ninguém falou nada.Rafael ZimermanSobrevivente do ataque do Hamas

Antissemitismo nas escolas brasileiras

Como educador, Rafael visita escolas em São Paulo e encontra alunos que desenham suásticas. Ele também mostrou casos de Santa Catarina, onde o Ministério Público já denunciou uma célula neonazista com treinamento armado.

“Eu sempre falo para os adolescentes que o cara que desenhou isso provavelmente seria morto por Hitler. E ainda desenhou a suástica ao contrário.Rafael ZimermanEducador da StandWithUs Brasil

Os dados da Conib reforçam o alerta. No último trimestre de 2023, as denúncias de antissemitismo subiram quase 800% ante o mesmo período de 2022.

Luan Sperandio, diretor de Operações do Ranking dos Políticos, e [nome] durante encontro com o sobrevivente do ataque do Hamas Rafael Zimerman, em Brasília.
Luan Sperandio (à esquerda), diretor de operações do Ranking dos Políticos, durante encontro em Brasília | Foto: Reprodução

O Hezbollah no Brasil

Rafael também citou a presença do Hezbollah no país. Em novembro de 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação Trapiche contra suspeitos de planejar ataques à comunidade judaica. Na Tríplice Fronteira, o grupo tem histórico de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico.

Educação como caminho para a paz

Rafael rejeita o termo genocídio para a guerra em Gaza e vê no Brasil uma narrativa movida pelo ódio. Ainda assim, admite que a postura do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não ajuda Israel.

Para ele, a raiz do conflito está na formação das novas gerações. Em novembro de 2023, o presidente israelense Isaac Herzog relatou um achado em Gaza. Militares encontraram um exemplar anotado de Mein Kampf em uma casa usada pelo Hamas.

“Eu sempre falo: só vai ter paz quando a educação mudar.Rafael ZimermanSobrevivente do ataque do Hamas

Por que a StandWithUs apoiou o encontro

Augusto Lerner Krieger, gerente de Relações Institucionais da StandWithUs Brasil, explica a parceria. Segundo ele, a entidade atua no país desde 2018 com eventos educativos para públicos de diferentes camadas da sociedade brasileira.

“O objetivo é que, através da educação, se combata o antissemitismo e que as pessoas respeitem a existência de Israel como um país soberano.Rafael ZimermanEm entrevista ao Ranking dos Políticos

Rafael faz parte desse trabalho como educador da organização. Ele também é embaixador do Pin For Peace, movimento contra o terrorismo e o antissemitismo. Em Recife, por exemplo, levou o relato a escolas e autoridades locais.

Lerner lembra que o lema da organização é “A educação é o caminho para a paz”. Para ele, encontros como o de Brasília fazem com que as pessoas “abram as suas mentes, dialoguem, conversem, troquem opiniões”. O resultado esperado, segundo ele, são “ideias mais plurais e menos radicais”.