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A renovação do Congresso em 2026 foi alta no número de cadeiras e baixa no perfil de quem chegou. Segundo estudo do Ranking dos Políticos, 43,7% das 567 vagas em disputa mudaram de titular. Porém, apenas 9% dos eleitos nunca tinham passado por mandato ou cargo político de primeiro escalão.
Ou seja, de cada cinco cadeiras que trocaram de dono, cerca de uma ficou com alguém sem trajetória política. O restante foi circulação interna. Vereadores e deputados estaduais subiram para a Câmara, enquanto deputados federais e governadores ocuparam o Senado.
O levantamento separa três indicadores que costumam aparecer misturados no noticiário. A renovação bruta conta todo eleito que não ocupa hoje a cadeira, somando novatos e ex-parlamentares que retornam. Por outro lado, a taxa de primeiro mandato segue o critério do balanço oficial da Câmara e exclui os retornos.
Além disso, a renovação líquida considera só quem nunca teve mandato eletivo nem cargo de primeiro escalão. Esse é o índice que, de acordo com o estudo, mede a chegada de quadros novos ao Legislativo.
Dos 513 deputados eleitos, 305 renovaram o mandato. Os outros 208 formam a renovação bruta de 40,5%. Desse grupo, 32 são ex-deputados que voltam à Casa e 176 vão exercer o primeiro mandato, o equivalente a 34,3%.
Os números diferem do balanço divulgado pela Câmara, que aponta 183 novatos e 29 retornos. Isso porque a revisão do estudo reclassificou nomes que já tinham passado pela Casa. Ainda assim, as duas contas ficam abaixo dos 39,4% de primeiro mandato registrados em 2022.
Entre os 176 novatos, 131 (74,4%) já tinham experiência política antes da eleição. As assembleias legislativas lideram, com 59 ex-deputados estaduais ou distritais. Em seguida vêm 38 ex-vereadores e 24 ex-prefeitos ou vice-prefeitos.
Dessa forma, a renovação líquida da Câmara ficou em 45 deputados, ou 8,8% da Casa. Mesmo nesse grupo, há nomes com projeção prévia na polícia e nas redes, como Delegado Felipe Curi e Jones Manoel.
| Situação | Câmara | Senado |
|---|---|---|
| Reconduzidos | 305 | 14 |
| Ex-parlamentares que retornam | 32 | 2 |
| Novatos com experiência política | 131 | 32 |
| Renovação líquida (sem trajetória política) | 45 | 6 |
No Senado, só 14 dos 32 senadores que buscaram a reeleição conseguiram voltar. Com isso, a renovação bruta chegou a 74,1% das 54 vagas em disputa. Contudo, 32 dos 38 novatos já tinham mandato eletivo.
A principal origem é a Câmara, que enviou 21 deputados federais ao Senado. Além disso, cinco eleitos já governaram seus estados, como Helder Barbalho e Reinaldo Azambuja. A renovação líquida se resume a seis nomes, 11,1% das cadeiras.
Mesmo entre esses seis, o levantamento aponta vínculos familiares com lideranças consolidadas, caso de Michelle Bolsonaro e Gracinha Caiado. Por isso, o estudo trata os 9% como teto, e não como piso, da entrada de quadros novos.
O PL elegeu 121 deputados, a maior bancada da Câmara, e responde por 10 dos 45 nomes da renovação líquida. A taxa do partido, de 8,3%, acompanha a das outras grandes bancadas. Nas sete maiores, o índice vai de 4,9% (PP e Republicanos) a 9,3% (PSD).
No Senado, por outro lado, o partido foi o principal canal de promoção. O PL conquistou 19 das 54 vagas e levou nove deputados federais à Casa, quase metade dos 21 casos.
Por região, o Sul teve a menor renovação líquida na Câmara, com 2 dos 77 deputados (2,6%). Além disso, oito unidades da federação, como Santa Catarina e Goiás, não elegeram nenhum deputado sem trajetória política anterior. No Senado, as seis vagas do Sul ficaram com quem já tinha mandato.
O padrão é o de uma carreira em degraus. Portanto, a porta de entrada real na política está nas eleições municipais e estaduais. Quem quiser antecipar o Congresso de 2031 deve observar as assembleias legislativas eleitas agora e as câmaras municipais de 2028.
Em agosto, o Diap apontou que 87,91% dos deputados pretendiam disputar a reeleição, um recorde. Da mesma forma, um levantamento feito após a eleição de 2022 encontrou renovação efetiva de apenas 8% no Congresso.
Para quem acompanha o desempenho parlamentar, o resultado tem um lado positivo. Afinal, 375 dos 567 eleitos (66,1%) já exerceram mandato no Congresso. Assim, há votações registradas para avaliar a maior parte da nova legislatura antes da posse, em fevereiro de 2027.
Os 51 eleitos sem trajetória anterior formam o grupo sobre o qual menos se sabe. Para eles, o mandato será a primeira base de avaliação no Ranking dos Políticos, que monitora o Congresso desde 2011.