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Reeleito governador do Piauí, Rafael Fonteles é o favorito para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula. Aliados o descrevem como político e técnico ao mesmo tempo.
Fonteles, porém, nega qualquer conversa. Ele afirmou que nunca tratou de cargos com o presidente ou com qualquer outra pessoa.
A ida para Brasília teria um custo político. Para assumir o ministério, ele precisaria abrir mão do governo estadual, conquistado com 70,9% dos votos válidos, o maior percentual do país.
Rafael Tajra Fonteles nasceu em Teresina em 6 de maio de 1985. É filho de Nazareno Fonteles, ex-deputado federal e um dos fundadores do PT no Piauí.
Na escola, representou o Brasil em olimpíadas internacionais de química e física. Depois, formou-se em matemática pela UFPI e concluiu, aos 21 anos, o mestrado em economia matemática no IMPA.
Antes da vida pública, deu aulas de matemática, abriu um curso pré-vestibular e trabalhou como consultor de investimentos.
Rafael Fonteles em resumo
| Nascimento | 6 de maio de 1985, em Teresina (PI) |
|---|---|
| Formação | Matemática (UFPI) e mestrado em economia matemática (IMPA) |
| Partido | PT |
| Cargo atual | Governador do Piauí, desde janeiro de 2023 |
| Eleição de 2026 | Reeleito no 1º turno, com 70,9% |
| Cotado para | Ministério da Fazenda |
Fontes: Perfil biográfico e resultado eleitoral
Em 2015, aos 29 anos, Fonteles assumiu a Secretaria da Fazenda do Piauí no governo de Wellington Dias. Ficou até março de 2022 e coordenou o Pro Piauí, principal programa de investimentos do estado.
No mesmo período, presidiu por dois mandatos o Comsefaz, comitê que reúne os secretários estaduais de Fazenda. Ocupou o posto entre abril de 2019 e março de 2022.
Em 2022, venceu a primeira eleição ainda no primeiro turno, com mais de 57% dos votos válidos. Na disputa, superou o ex-prefeito de Teresina Silvio Mendes (União Brasil).
Segundo o governo estadual, o Piauí atraiu R$ 44,7 bilhões em investimentos nos três primeiros anos da gestão. No mesmo período, foram criados 376 mil empregos formais.
Em 2025, o PIB estadual cresceu 7% e chegou a R$ 93 bilhões, segundo o Banco do Nordeste. A aprovação também chegou alta à eleição, com 72% em pesquisa Datafolha de agosto.
No plano regional, presidiu em 2025 o Consórcio Nordeste, que reúne nove estados. Na posse, assinou um memorando com o Ministério da Fazenda para a agenda de transformação ecológica.
O histórico fiscal do estado também entra na avaliação. Em 2020, com Fonteles na Secretaria da Fazenda, o Piauí caiu da nota B para C na classificação de capacidade de pagamento do Tesouro.
Naquele ano, foi o único estado a ter a nota rebaixada. A Capag mede a saúde fiscal dos estados e define o acesso a empréstimos com garantia da União.
Em 2022, o estado obteve no STF a suspensão do pagamento de 13 contratos de financiamento. O pedido veio após a redução do ICMS sobre combustíveis e energia, e a decisão impediu a União de rebaixar a nota do Piauí.
A reeleição veio em 4 de outubro, contra Joel Rodrigues (PP). Além disso, a base aliada conquistou 9 das 10 cadeiras do estado na Câmara e 27 das 30 vagas na Assembleia Legislativa.
O Piauí também foi o único estado sem nenhum parlamentar do PL eleito. No segundo turno, deu a Lula 70,78% dos votos válidos, a maior votação proporcional do presidente no país.
No segundo turno, Fonteles integrou o grupo que coordenou a campanha de Lula. Antes, em 2025, já havia atribuído a queda de popularidade do presidente à inflação dos alimentos.
Fonteles é apontado como nome moderado dentro do PT, com trânsito no mercado financeiro. Em 2025, defendeu a política econômica de Haddad e a credibilidade do arcabouço fiscal.
Além disso, apoiou a busca pelo grau de investimento e a aproximação com partidos de centro. Para analistas, ele representa uma orientação voltada ao desenvolvimento e ao equilíbrio das contas.
Quem assumir a pasta herdará contas apertadas. Em 2025, o governo central teve déficit de R$ 61,7 bilhões, e a meta só foi cumprida com R$ 48,7 bilhões fora do cálculo.
Ao mesmo tempo, a dívida pública chegou a 78,7% do PIB. O atual ministro, Dario Durigan, assumiu em abril com a tarefa de conter o avanço das despesas obrigatórias.
Para assumir a Fazenda, Fonteles teria de deixar o mandato recém-conquistado. Segundo apuração sobre o tema, ele sinalizou confiança no vice-governador eleito, Washington Bandeira.
Bandeira comandava a Secretaria de Educação do Piauí quando foi escolhido para a chapa. A indicação, segundo coluna sobre a montagem da candidatura, partiu do próprio governador.
Ainda assim, há resistência à ideia. Um analista considerou estranho um governador recém-eleito abdicar do cargo para integrar a equipe ministerial.
Por outro lado, há quem aponte o vice-presidente Geraldo Alckmin como favorito para a pasta. Por enquanto, Fonteles mantém a versão de que não houve convite.