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Senador pelo Ceará, Camilo Santana é o nome mais cotado para a Casa Civil no quarto mandato de Lula. O prestígio cresceu depois que ele coordenou a campanha petista no segundo turno.
Camilo assumiu a campanha de Lula após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou à frente. Na votação final, o presidente virou a disputa e foi reeleito com 51,79% dos votos válidos.
Além da Casa Civil, ele aparece para a futura pasta da Segurança Pública. A criação depende da PEC da Segurança, que concluiu a votação na CCJ do Senado em outubro e aguarda o plenário.
Camilo Sobreira de Santana nasceu no Crato, no interior do Ceará. É engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Ceará, onde também fez mestrado em desenvolvimento e meio ambiente.
Entre 2003 e 2004, foi superintendente adjunto do Ibama no Ceará. Em seguida, comandou a Secretaria do Desenvolvimento Agrário no governo de Cid Gomes.
Camilo Santana em resumo
| Naturalidade | Crato (CE) |
|---|---|
| Formação | Agronomia e mestrado em desenvolvimento e meio ambiente (UFC) |
| Partido | PT |
| Cargo atual | Senador pelo Ceará, eleito em 2022 |
| Cargos no Executivo | Governador do Ceará (2015–2022) e ministro da Educação (2023–2026) |
| Cotado para | Casa Civil ou Segurança Pública |
Fontes: Agência Senado e perfil biográfico
Em 2010, Camilo elegeu-se deputado estadual. Dois anos depois, voltou ao Executivo como secretário das Cidades, ainda no governo de Cid Gomes.
Em 2014, venceu a eleição para governador no segundo turno, com 53,35% dos votos válidos e Izolda Cela como vice. Quatro anos depois, foi reeleito com 79,96%.
A principal marca do governo foi a educação. O modelo começou na gestão Cid Gomes e foi ampliado por Camilo. Com ele, o estado chegou ao 1º lugar no Ideb dos anos finais do ensino fundamental nas escolas públicas.
Das 100 melhores escolas públicas do país nos anos iniciais, 87 ficavam no Ceará. Em 2005, o estado ocupava a 18ª posição entre as 27 unidades da Federação.
Entre os fatores do avanço estão o fim das indicações políticas para diretores e a avaliação periódica dos alunos. Além disso, parte do ICMS repassado aos municípios passou a depender dos resultados escolares.
A segurança foi o ponto mais frágil da gestão, segundo balanço dos sete anos de governo. Em 2019, o estado enfrentou duas ondas de ataques de facções criminosas.
No ano seguinte, um motim da Polícia Militar marcou o momento mais tenso do mandato. Durante o episódio, o senador Cid Gomes foi baleado duas vezes.
Camilo deixou o governo em 2022 para disputar o Senado. Elegeu-se com cerca de 3,3 milhões de votos e, logo depois, recebeu o convite de Lula para o MEC.
Camilo assumiu o MEC em janeiro de 2023 e levou para Brasília parte da equipe cearense. A ex-governadora Izolda Cela tornou-se secretária-executiva da pasta.
A principal aposta foi a alfabetização. Pelo Indicador Criança Alfabetizada, a taxa subiu de 56% em 2023 para 66% em 2025, acima da meta de 64%.
Especialistas, porém, questionam o indicador. Isso porque ele reúne provas aplicadas pelos estados, e nem todos têm dados padronizados, segundo reportagem sobre o resultado.
Na educação em tempo integral, o ministério partiu de 15% das escolas nesse modelo. Segundo Camilo, a rede chegou a 25,8% das matrículas em tempo integral no fim da gestão.
Em 2024, Lula sancionou a reforma do novo ensino médio, que ampliou a formação geral básica de 1.800 para 2.400 horas. Com isso, disciplinas como história, biologia e sociologia voltaram a todos os anos.
Outra marca foi o Pé-de-Meia, poupança para estudantes do ensino médio público. O programa paga R$ 200 mensais pela frequência e R$ 1 mil por ano concluído.
A gestão também enfrentou atritos com professores. No início de 2026, a regra do piso do magistério previa reajuste de apenas 0,37%, abaixo da inflação, o que gerou críticas de sindicatos.
Camilo deixou o MEC em 2 de abril de 2026 e voltou ao Senado. No lugar dele, assumiu o secretário-executivo Leonardo Barchini. Em julho, o senador passou a presidir a Comissão de Educação.
Segundo análises sobre o resultado, Camilo foi peça fundamental na virada do segundo turno. No Ceará, a vitória petista também foi atribuída à articulação dele.
Na campanha, adotou discurso firme na segurança pública. Ele chegou a propor a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
A Casa Civil coordena a administração federal e o Novo PAC, com previsão de investimentos acima de R$ 1,7 trilhão. Por isso, o cargo é considerado o mais próximo do presidente.
Desde abril, a Casa Civil é comandada por Miriam Belchior, que substituiu Rui Costa. Rui deixou a pasta para disputar o Senado pela Bahia.
Antes da eleição, a pasta era associada a Fernando Haddad. Agora, a força política pende para Camilo, segundo apuração sobre a montagem do governo.
Para analistas, o senador também seria preparado para a sucessão presidencial de 2030. Dessa forma, a Casa Civil funcionaria como vitrine para um eventual projeto nacional.
Ainda assim, a palavra final cabe a Lula, que ainda desenha a nova equipe. A posse do quarto mandato está marcada para 5 de janeiro de 2027.