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Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD) aparece como o principal nome para comandar o novo Ministério da Segurança Pública. A pasta deve ser criada após a promulgação da PEC da Segurança, aprovada pelo Senado em 3 de novembro.
No Senado, a proposta passou com 75 votos a favor e nenhum contra no segundo turno. Como a Câmara já havia aprovado o texto, ele segue direto para promulgação, sem sanção presidencial.
Lula condicionou a criação do ministério à aprovação da PEC, uma promessa de campanha. Segundo o presidente, a pasta vai concentrar esforços em inteligência, planejamento e cooperação com estados e municípios.
Até agora, porém, não há anúncio oficial. Além de Silveira, circulam nos bastidores o promotor Lincoln Gakiya, o secretário nacional Chico Lucas e os senadores Camilo Santana e Rui Costa.
Alexandre Silveira de Oliveira nasceu em Belo Horizonte, em 1970. Formou-se em direito pela Fundação Educacional Monsenhor Messias, em Minas Gerais.
Em 1997, tornou-se delegado da Polícia Civil de Minas Gerais e atuou no interior do estado. A origem policial é o principal argumento a favor do nome dele para a nova pasta.
Alexandre Silveira em resumo
| Nascimento | 1970, em Belo Horizonte (MG) |
|---|---|
| Formação | Direito |
| Carreira de origem | Delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, desde 1997 |
| Partido | PSD |
| Cargo atual | Ministro de Minas e Energia, desde janeiro de 2023 |
| Cotado para | Ministério da Segurança Pública |
Fontes: Agência Senado e perfil biográfico
Em 2003, a convite do então vice-presidente José Alencar, assumiu a coordenação da unidade do Dnit em Minas Gerais. Em 2006, foi promovido a diretor-geral do órgão.
Na gestão, acompanhou obras como o Anel Rodoviário de Ipatinga e a duplicação de trechos da BR-381. No mesmo ano, elegeu-se deputado federal pelo PPS. Em 2010, foi reeleito com 199.418 votos.
Em março de 2009, Silveira foi eleito presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara. O colegiado analisa projetos sobre polícias, sistema prisional e facções.
Em 2011, assumiu a Secretaria Extraordinária de Gestão Metropolitana no governo mineiro. Três anos depois, o governador Antonio Anastasia o nomeou secretário de Estado de Saúde.
A partir de 2014, presidiu o PSD em Minas Gerais. Em 2018, coordenou as campanhas de Anastasia e de Rodrigo Pacheco, então candidato ao Senado.
Silveira foi eleito primeiro suplente de Anastasia em 2014. Assumiu a cadeira em fevereiro de 2022, quando o titular deixou o Senado para ocupar uma vaga no TCU.
No curto mandato, foi coautor da PEC que ampliou o Auxílio Brasil e o vale-gás em 2022. Também apresentou projetos para dobrar o Bolsa Família de mães solo e zerar tributos federais da cesta básica.
Em outubro daquele ano, disputou a reeleição. Recebeu 35,79% dos votos válidos, atrás de Cleitinho Azevedo (PSC), eleito com 41,52%.
Em dezembro de 2022, Silveira foi indicado ao Ministério de Minas e Energia a partir de nomes apresentados por Gilberto Kassab, presidente do PSD.
Em 2025, Lula descartou mudanças na pasta e chamou Silveira de ministro excepcional. Segundo o presidente, a gestão promovia uma revolução no setor energético.
Entre as medidas, está a reformulação da tarifa social. A medida provisória assinada em maio de 2025 isenta da conta de luz famílias de baixa renda que consomem até 80 kWh por mês.
Segundo o governo, as mudanças alcançam mais de 60 milhões de pessoas. A mesma MP prevê a abertura do mercado livre de energia para todos os consumidores até dezembro de 2027.
Em setembro de 2025, o ministério participou do lançamento do Gás do Povo, que substituiu o Auxílio Gás. O programa prevê botijões gratuitos para cerca de 15,5 milhões de famílias inscritas no CadÚnico.
A gestão também enfrentou críticas. Em 2024, a Âmbar, do grupo J&F, comprou térmicas da Eletrobras no Amazonas. Dias depois, saiu uma medida provisória para socorrer a Amazonas Energia, cliente dessas usinas.
Reportagem do Estado de S. Paulo apontou 17 encontros da pasta com executivos da empresa antes da MP. Silveira negou reuniões fora da agenda e afirmou que o consumidor residencial não pagaria nenhum centavo a mais.
A carreira de delegado e a presidência da comissão da Câmara pesam a favor. Além disso, Silveira é visto como ministro de confiança de Lula, mesmo com o PSD em campo oposto na eleição.
Em março, desistiu de disputar o Senado e decidiu permanecer no governo. Na ocasião, afirmou que sua gratidão e lealdade com o presidente Lula é a mais absoluta.
A decisão contrariou parte do PSD, que lançou Ronaldo Caiado à Presidência e se aliou a Mateus Simões em Minas Gerais. Ainda assim, o ministro prometeu atuar na campanha de Lula.
A PEC coloca o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição e amplia o papel da União na área. Além disso, estende a atuação da PF a crimes interestaduais e da PRF a ferrovias e hidrovias federais.
O texto também endurece regras para líderes de facções e milícias. Entre elas estão presídios de segurança máxima e limites à progressão de regime, segundo o resumo da proposta aprovada.
No financiamento, metade dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário deve ir para estados e municípios. Outros 10% do superávit do Fundo Social do pré-sal vão para a área.
A escolha opõe dois modelos. Segundo levantamento sobre os cotados, o governo avalia um perfil técnico, ligado a investigações criminais, ou um nome político com experiência administrativa.
Silveira reúne as duas credenciais, embora tenha deixado a rotina policial em 2003, quando foi para o Dnit. Por outro lado, a pasta deve funcionar plenamente apenas em 2027, já sob o novo mandato.
Diante disso, a definição deve sair até a posse de Lula, marcada para 5 de janeiro de 2027. Até lá, Silveira segue no comando de Minas e Energia.