
Compartilhar
Compartilhe o artigo via
Ou copie o link
Quem Augusto Cury apoia para o Senado em 2026 exige separar apoio pessoal, candidatura do Avante e acordo estadual. Até 20 de setembro, a campanha presidencial do escritor não divulgou uma lista nacional de nomes semelhante às apresentadas por outros presidenciáveis. A apuração pública mostra apoios mais concentrados nas estruturas estaduais da legenda.
O Senado tem peso especial nesta eleição. Segundo o Senado Federal, 54 das 81 cadeiras estão em disputa em 2026, com duas vagas por estado e pelo Distrito Federal. Os dois candidatos mais votados em cada unidade serão eleitos para mandatos de oito anos. Isso aumenta o interesse das campanhas presidenciais em formar bancadas próximas no Congresso.
O nome com relação pública mais clara com Augusto Cury é Carlin Moura, candidato do Avante ao Senado por Minas Gerais. Em 16 de agosto, Cury lançou oficialmente sua campanha presidencial em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Itatiaia registrou a presença de Carlin Moura no ato, ao lado do candidato a vice-presidente Júlio Delgado e do presidente nacional do Avante, Luís Tibé.
O evento marcou o lançamento conjunto das candidaturas da legenda no estado. O Estado de Minas também colocou Carlin entre os integrantes da agenda eleitoral de Cury. Isso estabelece um vínculo político mais direto do que a simples filiação dos dois ao mesmo partido.
Mesmo assim, há diferença entre participar da mesma campanha e receber endosso nominal. No primeiro programa eleitoral do Avante destinado ao Senado em Minas, Cury apareceu pedindo votos aos correligionários de forma genérica. Segundo O Fator, ele não mencionou Carlin nominalmente naquele material. O vínculo eleitoral existe, mas a forma pública do apoio precisa ser descrita com precisão.
Outro caso importante está em Pernambuco. O diretório estadual do Avante formalizou apoio à candidatura de Túlio Gadelha ao Senado. O próprio Avante divulgou a decisão, tomada pela direção pernambucana da legenda.
Esse acordo, porém, não deve ser apresentado automaticamente como apoio pessoal de Augusto Cury. A articulação pernambucana nasceu da estratégia local do partido. Reportagem do Jamildo mostrou que a decisão fazia parte da composição estadual do Avante. O caso mostra como os diretórios podem construir alianças diferentes da disputa presidencial.
Essa separação evita uma conclusão incorreta. Um presidenciável pode ter correligionários concorrendo ao Senado enquanto o diretório estadual apoia nomes de outras siglas. Portanto, filiação partidária e apoio presidencial não são sinônimos.
Em Roraima, o Avante lançou Hilton Xavier ao Senado. A direção nacional do partido anunciou sua pré-candidatura em abril, quando Hilton também assumiu a presidência estadual da legenda. Ele permaneceu posteriormente na disputa eleitoral pelo Avante.
A candidatura própria aproxima o palanque estadual do projeto nacional de Cury. Porém, não foi localizada, até esta apuração, uma declaração pública do presidenciável pedindo nominalmente votos para Hilton. O dado seguro é que ambos disputam as eleições pelo mesmo partido.
Esse cuidado evita transformar apoio presumido em apoio pessoal confirmado. Para uma lista nacional, o critério mais seguro é considerar declarações, eventos conjuntos, materiais eleitorais ou anúncios formais que estabeleçam o vínculo.
A campanha de Augusto Cury também teve aproximações sem acordo eleitoral. Em Minas Gerais, integrantes do Avante discutiram uma aproximação com Aécio Neves, candidato do PSDB ao Senado. Segundo apuração de O Fator, Cury e Aécio chegaram a se reunir, mas as conversas não evoluíram para uma aliança formal.
O caso mostra por que uma reunião política não basta para classificar alguém como candidato apoiado. Aécio não pode ser incluído entre os nomes oficialmente endossados por Cury apenas pela existência das conversas.
No Maranhão ocorreu outra mudança. Duarte Júnior apareceu ao lado de Cury durante a pré-campanha e foi apresentado inicialmente como pré-candidato ao Senado em evento divulgado pelo Avante. Posteriormente, porém, a direção estadual decidiu não lançar candidatura própria à Casa, conforme informou o jornalista Isaías Rocha. Duarte passou a buscar a reeleição para deputado federal.
Até 20 de setembro, não existe uma relação nacional divulgada pela campanha de Augusto Cury com candidatos ao Senado em todos os estados. O vínculo mais diretamente documentado está em Minas Gerais, onde Carlin Moura integra o palanque estadual do Avante. Também existem candidaturas próprias e alianças estaduais, como Hilton Xavier em Roraima e o apoio partidário a Túlio Gadelha em Pernambuco.
A diferença importa porque a eleição presidencial e as disputas estaduais seguem lógicas próprias. A candidatura de Cury foi registrada em chapa formada apenas pelo Avante, conforme informações reunidas pelo Estado de Minas. Ao mesmo tempo, os diretórios estaduais mantêm espaço para construir seus próprios arranjos eleitorais.
Por isso, uma relação apresentada como “candidatos ao Senado apoiados por Augusto Cury” precisa separar três situações:
Misturar essas categorias pode dar ao eleitor a impressão de uma lista nacional que, até agora, não foi oficialmente apresentada.
Novos atos, vídeos ou declarações ainda podem ampliar os apoios durante a reta final. Até lá, a informação mais segura é que Cury atua com uma rede estadual descentralizada, sem uma relação nacional fechada de candidatos ao Senado. O cenário atual também pode mudar até o primeiro turno, especialmente nos estados onde o Avante mantém articulações locais.