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05 de maio, 2026

PT cobra R$ 1.000 por convite em jantar de 46 anos

PT cobra R$ 1.000 por convite em jantar de 46 anos
Foto: Ranking dos Políticos

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O Partido dos Trabalhadores realizou um jantar de arrecadação para celebrar os 46 anos da legenda. O evento ocorreu na noite de 4 de maio de 2026, em Brasília. Cerca de 200 pessoas pagaram R$ 1.000 pelo convite. Entre os presentes estavam apoiadores, empresários e políticos.

O evento aconteceu no CICB (Centro Internacional de Convenções do Brasil), que comporta até 20 mil pessoas sentadas. O partido reuniu cerca de 200 convidados, com ingresso a R$ 1.000. Tudo isso antecipa a campanha de doação coletiva prevista para o dia 15.

Quem esteve à mesa

Compareceram o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC). Em discurso, Edinho disse aos presentes que encontros como aquele fortalecem a sigla diante dos desafios futuros.

A leitura, porém, vai além da celebração. O PT entrou em 2026 sem sucessor para Lula, com aprovação em queda e pressionado a abastecer um caixa que operou no vermelho no ano passado.

Por que o PT busca arrecadar mais, mesmo com bilhões no caixa

O ponto mais incômodo está aqui. A legenda é a segunda que mais recebe dinheiro público no Brasil, atrás apenas do PL, e ainda assim monta jantar pago para arrecadar mais.

Fundo Partidário em 2025

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o PT recebeu R$ 140.467.359,38 em 2025, somados a R$ 12.385.725,59 em multas eleitorais redirecionadas. O total ultrapassou R$ 152 milhões em recursos públicos para o custeio rotineiro do partido.

Esse dinheiro sai do contribuinte e paga aluguel de sede, salário de funcionário, passagem aérea, conta de luz e formação política. O fundo bateu recorde e distribuiu R$ 1,126 bilhão entre 19 legendas em 2025, aumento de 2,4% sobre 2024.

Fundo Eleitoral que vem por aí

Há ainda o Fundo Eleitoral, exclusivo para campanhas. Em 2022, último ciclo presidencial, o PT recebeu R$ 500 milhões. A Câmara dos Deputados registrou que apenas o PT e o União Brasil somaram mais de R$ 1,2 bilhão dos R$ 4,9 bilhões repassados naquele ano. Para 2026, a expectativa é de um fundo ainda maior.

Mesmo com esse volume, o partido pede R$ 1.000 a cada convidado e prepara a vaquinha digital.

Caixa no vermelho em ano de eleição

A explicação apareceu em dezembro. Reportagem do Metrópoles mostrou que o PT chegou ao final de 2025 com déficit de R$ 1 milhão. A sigla gastou R$ 152,5 milhões diante de uma arrecadação de R$ 151,5 milhões.

O contraste com o adversário direto é gritante. O PL, do ex-presidente Bolsonaro, terminou o ano com superávit de R$ 87,3 milhões reservados para 2026, enquanto o partido do governo federal não conseguiu poupar nada. Por isso o jantar.

Cenário eleitoral pressiona o partido

A urgência financeira casa com um momento ruim de avaliação política. O terreno está mais complicado do que se imaginava no início do mandato.

Aprovação de Lula em queda

A pesquisa Genial/Quaest de abril de 2026 mostrou que a desaprovação ao governo Lula subiu de 49% para 52% desde janeiro. A aprovação caiu de 47% para 43% no mesmo período, e metade dos brasileiros diz que a economia piorou no último ano.

Outros institutos confirmam o quadro. A CartaCapital reuniu três levantamentos com sinais semelhantes. O Datafolha apontou 40% de avaliação negativa contra 29% de positiva, a CNT/MDA registrou 37,2% negativa contra 32,1% positiva, e a Quaest cravou 42% negativa contra 31% positiva.

Diante disso, o partido tenta compensar a perda de força no debate público com presença mais agressiva no financiamento.

Sucessão que ninguém discute

Aos 80 anos, Lula concentra todas as fichas do partido. O 8º Congresso Nacional, realizado em abril, encerrou sem qualquer nome para o pós-Lula. A estratégia apresentada por Edinho Silva foi exaltar entregas do governo atual e atacar a gestão anterior.

O partido evita debater renovação interna para não expor divisões. A aposta concentra tudo na quarta candidatura de Lula, sem plano B se der errado.

46 anos

O PT foi fundado em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo. Surgiu da convergência entre sindicalistas do ABC paulista, intelectuais de esquerda, católicos de base e parte do trotskismo. O verbete da FGV registra que o partido nasceu de movimentos sociais, não de bases congressuais, algo inédito no Brasil até então.

A trajetória inclui quatro vitórias presidenciais (2002, 2006, 2010 e 2022), o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e a prisão de Lula entre 2018 e 2019. Em dezembro de 2024, a legenda contava com 1.647.431 filiados, segunda maior base do país, atrás somente do MDB.

A sigla carrega também o passivo da Lava Jato e o processo de envelhecimento das suas lideranças. Lula, José Dirceu, José Genoino, Gleisi Hoffmann e o próprio Edinho Silva integram a chamada geração fundadora, e a renovação continua travada.

Eleições de 2026

O encontro no CICB diz mais sobre o estado do PT do que o partido gostaria de admitir. A legenda recebe centenas de milhões em recursos públicos e fechou 2025 no vermelho. Mesmo no governo federal, precisou cobrar R$ 1.000 por prato. Sem Lula, não há candidato. Com Lula em queda, o caixa precisa de cada centavo.

Fica a pergunta para o eleitor que paga a conta. Por que um partido que recebe R$ 152 milhões por ano em dinheiro público recorre a jantares de quatro dígitos? A campanha coletiva do dia 15 será o próximo capítulo. Os adversários já têm munição extra para cobrar coerência de quem se diz partido dos trabalhadores.


Alan Martins é jornalista, designer gráfico e analista de comunicação do Ranking dos Políticos