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Economia
04 de abril, 2026

Endividamento das famílias deve atingir máxima histórica no Brasil

Endividamento das famílias deve atingir máxima histórica no Brasil
Foto: Istock | Getty Images

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O endividamento das famílias brasileiras chegou a 49,7% em janeiro de 2026, segundo o Banco Central. O número se aproxima do recorde de 49,9%, registrado em julho de 2022. Por isso, o cenário preocupa especialistas e tem impacto direto sobre as decisões de parlamentares que debatem crédito e inflação no Congresso.

80% dos lares têm dívida

Hoje, 80% dos lares brasileiros carregam algum tipo de dívida. É o maior patamar desde o início das medições, em 2010. Além disso, 29% de toda a renda familiar mensal vai para cobrir empréstimos e financiamentos. Desse total, 10% serve apenas para pagar juros, sem reduzir o valor principal.

Selic a 14,75% e cartão a 435% ao ano

Para conter a inflação, o Banco Central manteve a Selic em 14,75% ao ano. O reflexo é desigual, pois empresas captam crédito a uma média de 24,9% ao ano, enquanto famílias pagam taxas que chegam a 62% ao ano.

O principal problema é o cartão de crédito, citado por 85% dos endividados. Quando a fatura não é paga integralmente, o crédito rotativo entra em ação. Em fevereiro de 2026, os juros do rotativo chegaram a 435,9% ao ano, alta de 11,4 pontos percentuais em 12 meses. Nesse caso, é por aí que a inadimplência cresce.

No crédito com garantia real, o movimento é diferente e mais estável:

  • Financiamento imobiliário: alta de 11,6% em 12 meses
  • Financiamento de veículos: alta de 16,2% em 12 meses

Ainda assim, senadores da Comissão de Assuntos Econômicos discutem alternativas para reduzir a dependência do rotativo. O próprio governo federal já determinou que Banco Central e Ministério da Fazenda estudem medidas para conter os juros do cartão.

No Norte e Nordeste não sobra quase nada para viver

O endividamento pesa de forma diferente em cada região. No Norte, as famílias comprometem 81,9% da renda com contas básicas e dívidas. No Nordeste, o índice chega a 79,4%.

Entre quem ganha até 3 salários mínimos, 18,6% declaram não ter condição alguma de pagar o que devem. O problema chegou às universidades: 4 em cada 10 estudantes já trancaram o curso por causa de dívidas ou falta de dinheiro.

Clique aqui e veja como deputados do Norte e Nordeste votam em pautas econômicas.

Dívida que não para de crescer afeta saúde, emprego e futuro

Sem margem no orçamento, qualquer imprevisto vira crise. O desemprego, por exemplo, é apontado por 29% dos jovens como a principal causa do endividamento. Com o nome negativado, fica mais difícil planejar e acessar crédito em boas condições. Para Flávio Ataliba Barreto, pesquisador do FGV IBRE, o cenário é de “alerta extremo” e a tendência é de manutenção enquanto os juros seguirem elevados.

No entanto, o impacto vai além do bolso. Cerca de 24% dos universitários relatam que as dívidas afetam diretamente a concentração nos estudos. Portanto, o superendividamento é um problema econômico, social e de saúde pública e cobra resposta dos representantes eleitos que definem as regras do crédito no Brasil.


Daniel Galvêas é doutorando em finanças pela Fucape, instituição em que leciona macroeconomia. É analista de políticas públicas do Ranking dos Políticos.