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O endividamento das famílias brasileiras chegou a 49,7% em janeiro de 2026, segundo o Banco Central. O número se aproxima do recorde de 49,9%, registrado em julho de 2022. Por isso, o cenário preocupa especialistas e tem impacto direto sobre as decisões de parlamentares que debatem crédito e inflação no Congresso.
Hoje, 80% dos lares brasileiros carregam algum tipo de dívida. É o maior patamar desde o início das medições, em 2010. Além disso, 29% de toda a renda familiar mensal vai para cobrir empréstimos e financiamentos. Desse total, 10% serve apenas para pagar juros, sem reduzir o valor principal.
Para conter a inflação, o Banco Central manteve a Selic em 14,75% ao ano. O reflexo é desigual, pois empresas captam crédito a uma média de 24,9% ao ano, enquanto famílias pagam taxas que chegam a 62% ao ano.
O principal problema é o cartão de crédito, citado por 85% dos endividados. Quando a fatura não é paga integralmente, o crédito rotativo entra em ação. Em fevereiro de 2026, os juros do rotativo chegaram a 435,9% ao ano, alta de 11,4 pontos percentuais em 12 meses. Nesse caso, é por aí que a inadimplência cresce.
No crédito com garantia real, o movimento é diferente e mais estável:
Ainda assim, senadores da Comissão de Assuntos Econômicos discutem alternativas para reduzir a dependência do rotativo. O próprio governo federal já determinou que Banco Central e Ministério da Fazenda estudem medidas para conter os juros do cartão.
O endividamento pesa de forma diferente em cada região. No Norte, as famílias comprometem 81,9% da renda com contas básicas e dívidas. No Nordeste, o índice chega a 79,4%.
Entre quem ganha até 3 salários mínimos, 18,6% declaram não ter condição alguma de pagar o que devem. O problema chegou às universidades: 4 em cada 10 estudantes já trancaram o curso por causa de dívidas ou falta de dinheiro.
Clique aqui e veja como deputados do Norte e Nordeste votam em pautas econômicas.
Sem margem no orçamento, qualquer imprevisto vira crise. O desemprego, por exemplo, é apontado por 29% dos jovens como a principal causa do endividamento. Com o nome negativado, fica mais difícil planejar e acessar crédito em boas condições. Para Flávio Ataliba Barreto, pesquisador do FGV IBRE, o cenário é de “alerta extremo” e a tendência é de manutenção enquanto os juros seguirem elevados.
No entanto, o impacto vai além do bolso. Cerca de 24% dos universitários relatam que as dívidas afetam diretamente a concentração nos estudos. Portanto, o superendividamento é um problema econômico, social e de saúde pública e cobra resposta dos representantes eleitos que definem as regras do crédito no Brasil.
Daniel Galvêas é doutorando em finanças pela Fucape, instituição em que leciona macroeconomia. É analista de políticas públicas do Ranking dos Políticos.