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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentou a mascote Pilili, nesta segunda-feira (4.mai.2026), durante a cerimônia que marcou os 30 anos da urna eletrônica. A personagem viralizou nas redes sociais em poucas horas. Junto com os memes, veio uma pergunta que circulou rápido: quanto custa essa campanha?
A Octopus Comunicação é a agência responsável pela mascote. A agência possui um contrato de R$ 6 milhões/ano com o TSE para serviços de publicidade, segundo o Metrópoles.
A Pilili é uma versão antropomórfica da urna eletrônica, com traços de desenho animado. O nome vem da onomatopeia do som que a urna emite quando o eleitor aperta a tecla “confirma”.
Segundo a página oficial do TSE sobre a mascote, a Pilili não tem gênero definido, porque foi inspirada numa máquina. A ideia é representar neutralidade, sem estereótipos. A personagem vai aparecer em campanhas de TV, redes sociais, vídeos educativos, tutoriais e materiais impressos. A proposta do tribunal é usá-la como porta-voz institucional das eleições de 2026.
A Pilili surgiu em 2023, criada pela Coordenadoria de Mídias e Web (Coweb) do TSE. A mascote se comunica por gestos e elementos gráficos, sem voz própria.
A Octopus é uma agência de publicidade com sede em Santo André, na Grande São Paulo. Foi fundada em 1978 e figura entre as 100 maiores agências do país, segundo rankings do setor. Atualmente, opera também em Brasília (DF), Foz do Iguaçu (PR) e Belo Horizonte (MG).
O presidente da agência é o publicitário Paulo Cesar Ferrari. Além do TSE, a Octopus já atendeu a Câmara de São Paulo e a agência Desenvolve SP, do governo paulista. A agência também venceu uma licitação de R$ 100 milhões em cinco anos para cuidar da publicidade da Itaipu Binacional.
O contrato entre a Octopus e o TSE foi assinado em março de 2022. O vínculo começou em abril daquele ano, após o fim de um contrato que o tribunal mantinha com a Arkus.
A Octopus venceu a Concorrência nº 2/2021 do TSE, com a proposta de campanha chamada “Partiu Votar”, que obteve nota 97,8, a mais alta entre as quatro concorrentes. O contrato prevê R$ 6 milhões anuais para a prestação de serviços de publicidade, o que inclui criação, produção e distribuição de campanhas para todos os públicos do tribunal. O contrato já está no quarto aditivo.
Em 2026, o TSE já empenhou R$ 5,4 milhões para pagamentos à agência. A Pilili é apenas uma das peças produzidas dentro desse contrato. A Octopus é responsável por todas as campanhas institucionais do tribunal, incluindo ações voltadas a mesários, acessibilidade e combate à desinformação eleitoral.
A cerimônia de apresentação aconteceu na sede do TSE, em Brasília. A presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia, participou do evento e posou ao lado da mascote em tamanho real.
Na ocasião, Cármen Lúcia falou sobre os 30 anos da urna eletrônica. A ministra afirmou que o equipamento acabou com fraudes no processo de votação e eliminou a possibilidade de uma pessoa votar no lugar de outra.
O evento contou também com painéis sobre a história da urna, experiências interativas com o equipamento e um vídeo institucional que mostrou a trajetória do sistema eletrônico desde 1996, quando foi usado pela primeira vez em eleições municipais.
A Pilili virou meme minutos depois do lançamento. O nome da mascote foi parar nos assuntos mais comentados do X e gerou uma onda de montagens, ironias e comparações.
Uma das piadas mais repetidas associou o nome “Pilili” ao personagem Cebolinha, da Turma da Mônica, que troca a letra “R” pela “L” ao falar. Outros internautas ligaram o nome a mensagens vazadas do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, numa referência ao vocabulário informal que circulou naquelas conversas.
O vídeo da ministra Cármen Lúcia interagindo com o boneco da mascote também viralizou. O advogado André Marsiglia criticou publicamente a postura do tribunal e afirmou que “uma Justiça que não se leva a sério não pode ser levada a sério”.
Um concept artist escreveu nas redes que considerava o projeto gráfico da personagem bem executado.
O contrato de R$ 6 milhões anuais entre o TSE e a Octopus cobre toda a comunicação institucional do tribunal, não apenas a Pilili. Esse tipo de contrato é comum em órgãos públicos e segue o rito de licitações previsto na legislação federal.
A verba paga criação de peças publicitárias, compra de mídia, produção de vídeos, gerenciamento de redes sociais e ações de comunicação dirigidas a diferentes segmentos. Em ano eleitoral, a demanda por campanhas institucionais cresce, porque o TSE precisa orientar o eleitorado sobre prazos, regras de votação, biometria e justificativas.
O Brasil tem 156 milhões de eleitores, segundo dados do próprio TSE. A comunicação do tribunal busca alcançar um público diverso, com diferenças regionais, geracionais e de acesso à informação.
Segundo a CNN Brasil, o tribunal quer que a Pilili funcione como uma espécie de novo Zé Gotinha, só que para fim eleitoral. A ideia é que a personagem apareça em diferentes contextos regionais, incorporando elementos culturais locais, como chapéus típicos, adereços de festas juninas e outros acessórios.
As campanhas devem circular em TV, rádio, redes sociais e materiais impressos. O tribunal também prevê o uso da Pilili em vídeos educativos sobre o processo de votação.
Alan Martins é jornalista, designer gráfico e analista de comunicação do Ranking dos Políticos