Ranking dos Políticos
14 de outubro, 2026

Perfil do novo Congresso revela seis milionários em cada dez eleitos

Perfil do novo Congresso revela seis milionários em cada dez eleitos
Foto: Perfil do novo Congresso e quem são os 567 eleitos em 2026 | Ranking dos Políticos

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O perfil do novo Congresso mostra uma Casa mais rica, mais concentrada e com mais mulheres. O levantamento “A nova cara do Congresso”, do Ranking dos Políticos, analisou os 567 parlamentares eleitos em 4 de outubro.

Os números vêm do Tribunal Superior Eleitoral e foram fechados em 12 de outubro, com 99,99% das urnas apuradas. Os 513 deputados e 54 senadores tomam posse em 1º de fevereiro de 2027. Eles se juntam aos 27 senadores escolhidos em 2022.

Seis em cada dez eleitos são milionários

Entre os 7.582 candidatos ao Congresso, 20% declararam ao menos R$ 1 milhão em bens. Entre os eleitos, a fatia triplica e chega a 61%, conforme as declarações entregues ao TSE. No Senado, são 41 dos 54 eleitos, ou 76%.

Seis em cada dez eleitos são milionários

Percentual com bens declarados de R$ 1 milhão ou mais, entre candidatos e eleitos em 2026

  • Candidatos ao Congresso20%
  • Eleitos para a Câmara60%
  • Eleitos para o Congresso61%
  • Eleitos para o Senado76%

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Elaboração Ranking dos Políticos. Câmara com 309 de 513 eleitos e Senado com 41 de 54.

Patrimônio alto não desqualifica ninguém e, muitas vezes, reflete carreira no setor privado. Ainda assim, a evolução dos bens registrados no DivulgaCandContas merece acompanhamento até a declaração de 2030.

Gastar mais não garantiu voto

Nenhum dos 20 deputados mais votados do país gastou mais de R$ 10 por voto. Nikolas Ferreira (PL-MG), recordista com mais de 3,1 milhões de votos, pagou R$ 0,40 por eleitor. Lucas Polese (PL-ES), por exemplo, gastou ainda menos, R$ 0,24.

Os votos mais caros aparecem nos estados pequenos. Em Roraima, Zé Haroldo Cathedral (União) pagou R$ 160,29 por voto, segundo prestações de contas parciais do TSE. Os dados valem até 7 de outubro, e os números finais saem em 4 de novembro.

Gastar mais não garantiu voto

Quanto cada deputado eleito gastou por voto recebido, nos extremos da lista. Barras em escala logarítmica.

Menos de R$ 10 por votoMais de R$ 50 por voto
  • Lucas Polese (PL-ES)R$ 0,24
  • Nikolas Ferreira (PL-MG)R$ 0,40
  • Lucas Pavanato (PL-SP)R$ 0,89
  • Kim Kataguiri (Missão-SP)R$ 0,90
  • Erika Hilton (PSOL-SP)R$ 1,02
  • Ana Elisa (PT-MG)R$ 1,20
  • Tabata Amaral (PSB-SP)R$ 5,63
  • Delegada Ione (PL-MG)R$ 78,99
  • Dr. Fábio Rueda (União-AC)R$ 83,39
  • Defensor Stélio Dener (União-RR)R$ 157,70
  • Zé Haroldo Cathedral (União-RR)R$ 160,29

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prestações de contas parciais até 7 de outubro de 2026. Elaboração Ranking dos Políticos. As contas finais saem em 4 de novembro.

Boa parte desse dinheiro é público. O Fundo Eleitoral distribuiu R$ 4,96 bilhões entre 30 partidos em 2026, e o PL recebeu R$ 881,7 milhões. Além disso, o TSE manteve o teto de gastos de 2022, de R$ 3,18 milhões por candidato a deputado.

O argumento do voto distrital

Para Luan Sperandio, diretor de operações do Ranking dos Políticos, candidaturas de opinião custam menos por voto. As de base regional ou setorial gastam mais por eleitor. Por isso, o voto distrital baratearia as campanhas, porque cada candidato disputaria um território menor.

Quatro em cada dez fazem da política a profissão

Ao TSE, 201 deputados eleitos informaram como ocupação o próprio cargo, o equivalente a 39,2% da Câmara. Pela profissão de origem, o levantamento do Ranking conta 79 empresários, 64 advogados e 30 médicos. Além disso, 82,1% têm ensino superior completo.

O deputado mais jovem da história

Alvinho Lira (PP-AL), filho de Arthur Lira, foi eleito aos 20 anos. A Constituição exige 21 anos para o cargo de deputado, idade que ele completa só em março de 2027.

A posse está garantida pela Lei 15.230/2025, que mede a idade até 90 dias após a eleição da Mesa. Ou seja, a regra mudou o prazo da conferência, sem reduzir a idade prevista na Constituição.

Recorde de mulheres, com rostos conhecidos

A Câmara terá 109 deputadas, 21,2% das cadeiras e 19 a mais que em 2022. Porém, 59 delas já exercem mandato e conseguiram a reeleição. As mulheres somam 51,5% da população, segundo o Censo 2022.

Mulheres na Câmara chegam a 21,2%

Participação das deputadas eleitas em cada eleição, comparada com a presença das mulheres na população

População 51,5%
8,2%
8,8%
8,8%
9,9%
15,0%
17,5%
21,2%
2002200620102014201820222026

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e IBGE, Censo 2022. Elaboração Ranking dos Políticos. Em 2026 são 109 deputadas entre 513 cadeiras.

No Senado, as 12 eleitas formam o maior grupo de senadoras desde a redemocratização. Por outro lado, os deputados pretos e pardos caíram de 139 para 135, ou 26,3% da Câmara.

PL concentra poder nas duas Casas

O PL elegeu 121 deputados, a maior bancada de um único partido desde 1990. Além disso, as cinco maiores forças somam 380 cadeiras, ou 74,1% da Câmara.

No Senado, o partido conquistou 19 vagas e terá 28 cadeiras em 2027. No entanto, só 14 dos 32 senadores que tentaram a reeleição conseguiram ficar na Casa.

PL lidera nas duas Casas

Cadeiras conquistadas por partido ou federação na eleição de 2026

513 deputados. As cinco maiores forças somam 380 cadeiras, ou 74,1% da Câmara.

  • PL121
  • PT-PCdoB-PV88
  • União-PP87
  • PSD43
  • Republicanos41
  • MDB36
  • Podemos27
  • PSB15
  • PSOL-Rede15
  • PSDB-Cidadania11
  • Novo10
  • PRD-Solidariedade7
  • PDT6
  • Avante5
  • Missão1

54 vagas em disputa. Com os senadores eleitos em 2022, o PL chega a 28 das 81 cadeiras.

  • PL19
  • MDB7
  • PT6
  • PP3
  • PSB3
  • União3
  • Novo3
  • Republicanos2
  • PSD2
  • PSDB2
  • Podemos2
  • Rede1
  • PDT1

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Elaboração Ranking dos Políticos.

Quem volta traz histórico de voto com o governo

Mais de 300 deputados conseguiram a reeleição em 2026. O estudo cruzou os votos de 306 eleitos que atuaram na legislatura 2023-2026 com a posição do governo Lula.

Desse grupo, 156 acompanharam o Planalto em 70% ou mais das votações divididas entre governo e oposição. Portanto, renovar nomes não significa mudar o comportamento do plenário.

O governismo médio vai de 99% no PT a 9% no PL. A nota média no Ranking segue a direção oposta, de 3,99 no PT a 7,23 no PL.

Governismo e nota no Ranking andam em direções opostas

Média dos deputados eleitos que votaram na legislatura 2023 a 2026, por partido. Toque nos botões para reordenar.

PartidoVotos com o governoNota no Ranking
  • PT (41)99%3,99
  • PCdoB (7)97%4,35
  • PSOL (9)88%3,27
  • PDT (5)83%4,95
  • PSB (9)80%5,35
  • MDB (24)69%5,41
  • PSD (28)64%6,21
  • Republicanos (27)62%5,73
  • União (29)57%6,00
  • Podemos (12)57%5,95
  • PP (30)55%5,90
  • PL (64)9%7,23

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e votações nominais da Câmara de 2023 a 2026. Elaboração Ranking dos Políticos. Votos com o governo Lula nas votações em que governo e oposição se dividiram. Nota de 0 a 10. Entre parênteses, deputados com votações na legislatura. Partidos com 5 ou mais.

Como o perfil do novo Congresso muda a avaliação

Os 40 novos senadores e os deputados estreantes ainda não têm votações nominais na Casa. Assim, a primeira nota desses parlamentares sai no fim de 2027, e os suplentes entram após seis meses de exercício.

Em fevereiro, o Ranking dos Políticos passa a avaliar os 594 parlamentares com os mesmos critérios objetivos. A nota considera votações, gastos e atividade legislativa. Dessa forma, o eleitor terá como comparar a campanha com o mandato de cada um.