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Agro
18 de maio, 2026

Agro brasileiro fortalece a marca Brasil como potência global de alimentos e energia

Agro brasileiro fortalece a marca Brasil como potência global de alimentos e energia
Foto: Agronegócio responde por quase um quarto do PIB brasileiro | Ranking dos Políticos

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por Nádia Martins

O agronegócio se consolidou como um dos principais vetores de construção da imagem e da reputação do Brasil. Isso vale tanto internamente quanto no cenário internacional. Essa é a principal conclusão da pesquisa Marca Brasil, conduzida pela consultoria OnStrategy e divulgada com exclusividade pela CNN Brasil. O estudo coloca o agro ao lado do turismo como um dos pilares da percepção do país no mundo.

Ao avaliar indicadores como imagem, notoriedade e exposição internacional, o estudo mostra que o agronegócio registrou nota 7,1 em imagem e reputação no Brasil e 6,6 no exterior. As notas seguem uma escala de 0 a 10. Esse desempenho fica atrás apenas do turismo e à frente de setores como indústria, energia e tecnologia. Além disso, a notoriedade aparece como ponto forte. O agro alcança 8,5 no mercado interno e 7,1 fora do país. Isso indica alto grau de reconhecimento, ainda que exista espaço para ampliar a familiaridade internacional com o setor.

Pesquisas indicam virada na percepção da marca Brasil ligada ao agro

A leitura atual da pesquisa Marca Brasil dialoga com um movimento que não começou agora. Há cerca de cinco anos, um levantamento feito na Europa pela própria OnStrategy, em parceria com a Serasa Experian, já trazia sinais dessa tendência. A presença do Brasil na produção de alimentos já era percebida como um ativo relevante. Consequentemente, a contribuição do agro à segurança alimentar global começava a ser associada à melhora da imagem da marca Brasil.

Esse avanço é reforçado, na visão de José Luiz Tejon, especialista em agronegócio, pelos dados mais recentes. Segundo ele, “Há cinco anos, as pesquisas já mostravam que a atuação do Brasil na produção de alimentos gerava valor para a marca do país. Agora, os novos resultados confirmam que a atividade de alimentos, energia e fibras passou a ser percebida como fator de segurança para o mundo inteiro. Isso é valorizado interna e externamente, e representa uma constatação internacional relativamente nova sobre o agro brasileiro.”

A pesquisa Marca Brasil é apresentada como o maior levantamento já produzido sobre a reputação do Brasil. Ao todo, foram consultados 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros, de forma online, entre outubro de 2025 e março de 2026. Participaram cidadãos, executivos, jornalistas, influenciadores e autoridades. A amostra ampla, portanto, reforça a consistência dos resultados.

Peso econômico do agro explica parte da imagem positiva do setor

O desempenho do agronegócio na pesquisa está diretamente associado à relevância econômica do setor nas últimas décadas. Afinal, considerando toda a cadeia produtiva — da produção no campo aos insumos, passando pela agroindústria, transporte e comércio — o agro responde por cerca de 25% do PIB brasileiro, segundo o Cepea/Esalq-USP e a CNA. Esse peso ajuda a explicar por que o segmento aparece com imagem mais forte do que outros setores.

Em pouco mais de 40 anos, o Brasil deixou de ser importador de alimentos para se consolidar como um dos principais fornecedores globais. A produção de grãos (arroz, feijão, milho, soja e trigo) saltou de 38 milhões de toneladas em 1975 para mais de 357 milhões de toneladas projetadas para a safra 2025/26, segundo a Conab. Ou seja, um avanço superior a 800%. Na pecuária, o rebanho bovino chega a cerca de 238 milhões de cabeças. É o maior rebanho comercial do mundo.

Esse movimento se reflete nas exportações. As vendas externas do agronegócio somaram US$ 169,2 bilhões em 2025. Foi um recorde histórico, que representou 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior no ano. Com isso, o país reforçou sua posição como grande fornecedor de alimentos, fibras e energia.

Nesse sentido, os números de longo prazo impressionam. Entre 2001 e 2025, as exportações agropecuárias brasileiras cresceram 810%. O ritmo é superior ao da União Europeia (340%) e dos Estados Unidos (180%), segundo a pesquisa.

Confiança internacional no agro brasileiro e diferenças entre mercados

A pesquisa também se debruça sobre a percepção de confiabilidade do agronegócio brasileiro em diferentes regiões do mundo. Nesse ponto, os dados indicam que o Brasil é visto como um fornecedor estável e um parceiro confiável. Isso se deve, principalmente, à capacidade de entrega em escala, à regularidade dos fluxos de exportação e ao histórico de cumprimento de contratos.

Questionado sobre os fatores que mais pesam nessa avaliação, Pedro Tavares, CEO da OnStrategy, destaca a combinação entre qualidade, escala e previsibilidade. Segundo ele, a confiança não se explica apenas pelo volume produzido. Ela vem, sobretudo, da forma como o Brasil se consolidou como fonte contínua de suprimento:

“A confiabilidade do agronegócio brasileiro é, em grande medida, um resultado da convergência entre qualidade de produto e escala de produção. Essa combinação se traduz em redução de riscos para os compradores. Eles enxergam o Brasil como um fornecedor capaz de atender grandes demandas sem rupturas. Além disso, o histórico de cumprimento de contratos e a capacidade logística construída ao longo das últimas décadas reforçam essa percepção de estabilidade, mesmo em cenários de volatilidade global.”

Ásia e Europa lideram a confiança no agro brasileiro

As diferenças regionais também aparecem com clareza. De acordo com Tavares, Ásia e Europa despontam como mercados em que o Brasil recebe as melhores avaliações de confiança e relevância. No entanto, os motivos são diferentes em cada região.

Na Ásia, a demanda crescente por alimentos e proteína animal coloca o país como parceiro de longo prazo. Já na Europa, apesar de um debate mais intenso sobre sustentabilidade, o agro brasileiro é reconhecido como peça importante na segurança alimentar e energética.

Tavares resume: “Na Ásia, a escala e a regularidade da oferta são vistas como diferenciais competitivos. Na Europa, mesmo com exigências mais rigorosas em temas ambientais, o Brasil é percebido como um fornecedor necessário. Ele é também tecnicamente capaz de se adaptar a padrões mais elevados. Em ambos os casos, a confiança está ancorada na capacidade de entregar volume, qualidade e continuidade.”

Onde a reputação ainda é sensível

Essas diferenças regionais ajudam a entender onde a imagem do agro brasileiro é mais sólida. Também mostram onde ela ainda é sensível a crises de reputação. O atributo de Estilo de Vida e Segurança, por exemplo, obteve o pior score externo, com nota 4,4. Ele funciona como limitador para o crescimento da imagem do país.

Diante disso, os dados indicam que a construção de confiança passa tanto por desempenho econômico quanto por respostas consistentes a temas como sustentabilidade, governança ambiental e transparência nas cadeias produtivas.


Nádia Martins é jornalista, especialista em comunicação digital e produtora de conteúdo do Ranking dos Políticos