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O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma pelo menos 23 derrotas relevantes no Congresso Nacional. O levantamento é do Poder360 e cobre o período entre 2023 e 2026. Nesse intervalo, o petista enfrentou vetos derrubados, pautas travadas, comissões perdidas e uma rejeição histórica no Senado.
O ponto mais duro veio em abril de 2026. O Senado barrou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, algo que não acontecia havia mais de um século.
A lista abaixo reúne os episódios mapeados pelo levantamento. Está organizada por ano e por tipo de derrota.
Boa parte dos reveses veio da derrubada de vetos presidenciais. Ou seja, o Congresso passou por cima da caneta do presidente em decisões que o Planalto queria bloquear.
Ainda em 2023, o Congresso derrubou o veto ao marco temporal das terras indígenas. O placar foi de 321 deputados e 53 senadores pela rejeição. A tese restringe a demarcação às áreas ocupadas em 5 de outubro de 1988.
Em 2024, outra derrota veio com a derrubada do veto à proibição das saidinhas de presos. O Congresso ainda barrou trechos vetados em pautas de costumes e mexeu em regras orçamentárias.
Em 2025 e 2026, os vetos derrubados se somaram nas áreas de eólicas offshore, PL do Esporte, dosimetria de penas e doações em campanhas. Cada nova derrubada reforçou o sinal de que o Planalto perdeu tração no Legislativo.
A maior derrota do mandato aconteceu em 29 de abril de 2026. Por 42 votos contrários a 34 favoráveis, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF. O advogado-geral da União precisava de 41 votos e ficou sete abaixo.
Foi a primeira vez em 132 anos que o Senado barrou um nome do presidente para a Corte. As rejeições anteriores ocorreram em 1894, no governo do marechal Floriano Peixoto.
No dia seguinte, o Congresso ainda derrubou o veto ao PL da Dosimetria. O projeto reduz penas de condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito. A dupla derrota em menos de 24 horas foi lida como ponto de virada do mandato.
A área econômica também colecionou reveses. Em junho de 2025, o Congresso derrubou o decreto que aumentava o IOF. O placar foi de 383 votos a 98 na Câmara. No Senado, a votação foi simbólica.
O governo esperava arrecadar R$ 20,5 bilhões com a medida. Diante disso, o Planalto recorreu ao STF para tentar salvar parte da arrecadação. Ainda assim, precisou negociar taxação de bets e outras operações via medida provisória.
A execução das emendas parlamentares, por sua vez, também virou moeda de troca. Em 2025, o Executivo ampliou concessões ao Congresso para garantir votações. Mesmo assim, os resultados foram frustrantes.
Nem toda derrota veio em votação. Algumas pautas simplesmente não avançaram. O PL das Fake News foi retirado de pauta em 2023 por falta de votos. A regulação do trabalho por aplicativo em 2024 seguiu o mesmo caminho.
Em 2025, a PEC da Segurança Pública foi engavetada. Já a Reforma Administrativa enfrenta resistência do próprio governo em ano eleitoral. O relator Pedro Paulo (PSD-RJ) chegou a criticar o Planalto por “se acovardar” diante de mudanças no serviço público.
Uma pesquisa Datafolha de maio de 2026 mostrou que 70% dos brasileiros veem mais confronto do que colaboração entre Lula e o Congresso. Entre esse grupo, 89% avaliam a relação como negativa para o Brasil.
A sequência de derrotas mostra uma articulação política que não montou base sólida em quase quatro anos. Ainda assim, Lula liberou recursos recordes em emendas, sem obter resultados proporcionais nas votações.
O contexto se torna mais delicado porque o país entra no ciclo eleitoral. Propostas polêmicas tendem a ficar de lado. Por outro lado, temas com forte apelo popular podem ganhar espaço nos próximos meses.
Para o Executivo, o desafio é chegar ao fim do mandato sem novos episódios como o de Messias. Para o Congresso, resta administrar uma imagem já desgastada. A mesma Datafolha mostrou que 37% dos entrevistados avaliam o desempenho do Legislativo como ruim ou péssimo.
Alan Martins é jornalista, designer gráfico e analista de comunicação do Ranking dos Políticos