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O Ranking dos Políticos contou as interrupções nas sabatinas dos presidenciáveis transmitidas pela TV Globo. Ronaldo Caiado (PSD) foi o mais cortado pelos entrevistadores, com 41. Renan Santos (Missão) teve 38 e Flávio Bolsonaro (PL), 35. Romeu Zema (Novo) aparece com 33 e Lula (PT) fecha a lista, com 32.
A série começou na segunda-feira (24) e termina no sábado (29), sempre depois do Jornal Nacional. Renata Vasconcellos e César Tralli conduzem as conversas ao vivo. Além disso, cada candidato entra sozinho no estúdio, sem os concorrentes ao lado.
Falta apenas a sabatina de Augusto Cury (Avante), neste sábado (29). Por isso, a última posição do petista ainda pode mudar. Cinco candidatos já passaram pelo estúdio e somam 179 interrupções.
A contagem cobre apenas as entrevistas da TV Globo. Dessa forma, o levantamento não mistura debates, comícios ou podcasts. Todos os candidatos tiveram o mesmo formato, o mesmo horário e os mesmos entrevistadores.


Os seis nomes saíram da pesquisa Quaest de 14 de agosto. A ordem foi definida por sorteio, com representantes dos partidos na sala. Nesse sentido, nenhum candidato escolheu o dia em que apareceria.

O ritmo se manteve do começo ao fim. O maior intervalo sem interrupção durou 3min23, entre os minutos 31 e 34. Em compensação, houve cinco interrupções em 1min19 na reta final da entrevista.
Um número desse tipo só vale se o critério estiver claro. Cortar a resposta no meio conta como interrupção. Completar a frase do entrevistado, no entanto, pode entrar ou não. Ao mesmo tempo, sobreposições de meio segundo mudam bastante o total.
A diferença entre o primeiro e o último colocado chega a 28%. Caiado foi cortado 41 vezes e Lula, 32. Flávio Bolsonaro ficou no meio do grupo, com 35, enquanto Zema teve 33.

Esses números brutos não medem tempo de fala. Um candidato que se estende nas respostas tende a receber mais cortes. Isso porque o entrevistador precisa devolver a conversa ao roteiro. Da mesma forma, respostas curtas reduzem a chance de interrupção.
A imprensa mede o que o candidato disse. Quase ninguém mede como a conversa foi conduzida. Contudo, o número de cortes revela o grau de pressão que cada entrevistado enfrentou no estúdio.
Esse dado ganha peso porque a campanha andou vazia de confronto. Lula recusou a sabatina da GloboNews e do g1 no começo de agosto. Flávio Bolsonaro também ficou fora daquela rodada. Depois, os dois faltaram ao primeiro debate do ano, na Band.
O petista tem priorizado podcasts em vez de sabatinas tradicionais. Com isso, a rodada da Globo virou o primeiro lugar em que quase todos responderam perguntas duras. Diante disso, medir o comportamento dos entrevistadores deixa de ser detalhe.
Contar interrupção não prova tratamento desigual. Por sua vez, joga luz sobre uma decisão editorial que costuma passar em branco. Cada corte define quanto espaço o candidato teve para desenvolver a resposta. Ainda assim, o eleitor raramente recebe esse número.
O levantamento do Ranking dos Políticos fecha depois das entrevistas de Flávio Bolsonaro e Augusto Cury. Até lá, a última posição segue em aberto. A organização acompanha os 594 parlamentares federais e vai divulgar a contagem final da série.