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A lista de famosos eleitos e não eleitos em 2026 confirma uma regra antiga da política brasileira. Popularidade na TV, no futebol ou na internet não garante cadeira no Legislativo. Em São Paulo, Datena terminou a disputa com 51.071 votos e ficou fora da Câmara, assim como Silvia Abravanel e Rachel Sheherazade.
O resultado, porém, esconde uma parte da história. Isso porque, no sistema proporcional, o voto dado a um famoso derrotado não desaparece. Ele entra na soma do partido e pode ajudar a eleger outro nome da mesma legenda.
A maioria das celebridades que disputaram a eleição ficou sem mandato em todo o país. O destaque entre as exceções foi Thammy Miranda (PSD), eleito deputado estadual por São Paulo com 84.330 votos.
No Rio de Janeiro, Thiago Gagliasso (PL) conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados com 67.700 votos. Em São Paulo, Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL) somou 187.743 votos e garantiu mais um mandato federal.
Os três já tinham experiência em mandato antes desta eleição. Thammy foi vereador na capital paulista, Gagliasso foi eleito deputado estadual em 2022 e Luiz Philippe ocupa uma cadeira na Câmara desde 2019. Ou seja, a fama ajudou, mas a estrutura partidária e o histórico pesaram mais.
O levantamento do NaTelinha reuniu 30 famosos que fracassaram nas urnas. Na lista aparecem apresentadores, cantores, ex-jogadores e ex-participantes de reality shows.
A televisão forneceu a maior parte dos derrotados. Além de Datena, Sikêra Jr. (Republicanos) recebeu 37.050 votos e Geraldo Luís (Avante) ficou com 10.176, ambos na disputa por uma vaga de deputado federal em São Paulo.
A disputa mais apertada envolveu duas estreantes do PSD. Silvia Abravanel teve 22.464 votos, enquanto Rachel Sheherazade somou 22.451. Dessa forma, apenas 13 votos separaram as duas, e nenhuma chegou perto de uma cadeira.
Cantores e ex-atletas também ficaram de fora. No Rio de Janeiro, Edmundo (PSDB) recebeu 25.725 votos na disputa pela Câmara. Em São Paulo, Luís Fabiano (MDB) ficou com 9.613 votos e Manoel Gomes, o Caneta Azul (Avante), parou em 7.239. Da mesma forma, MC Gui (PSD) teve 7.378 votos e não alcançou a Câmara.
Só dois famosos paulistas passaram do piso individual
Votos de famosos não eleitos para deputado federal em São Paulo em 2026. A linha tracejada marca 10% do quociente eleitoral, mínimo que a lei exige para ocupar uma vaga conquistada pelo partido.
Dados do TSE compilados por CNN Brasil, Metrópoles, O Tempo e GCMais. Piso calculado pelo Ranking dos Políticos com base em 23,67 milhões de votos válidos e 70 cadeiras.
Nenhuma queda foi tão grande quanto a de Tiririca. Em 2010, o humorista recebeu 1.353.640 votos e foi o deputado federal mais votado do país. Depois disso, a votação caiu a cada eleição, até 71.754 votos em 2022.
Ainda assim, ele foi o último eleito por São Paulo naquele ano com a ajuda dos votos do partido. Em 2026, trocou São Paulo pelo Ceará, seu estado natal, e recebeu 5.523 votos. Com isso, fica fora da Câmara pela primeira vez desde 2010.
Tiririca saiu de 1,35 milhão para 5,5 mil votos em 16 anos
Votação de Tiririca para deputado federal. De 2010 a 2022, a disputa foi por São Paulo. Em 2026, o humorista concorreu pelo Ceará e ficou sem mandato.
Dados do TSE compilados por Correio da Manhã e ND+.
A trajetória mostra que o voto de protesto perde força quando o recado já foi dado. Na primeira eleição, o eleitor escolhe o personagem. Nas seguintes, passa a comparar o personagem com o mandato.
Pela Lei 14.211/2021, cada partido recebe cadeiras conforme a soma dos votos dados à legenda e a todos os seus candidatos. Por isso, o voto em um famoso que perdeu continua na conta da sigla.
O caso de Datena mostra o mecanismo. O PSB elegeu dois deputados federais por São Paulo, Tabata Amaral, com 476.383 votos, e Jonas Donizette, com 97.335. Os 51.071 votos do apresentador entraram nessa soma, embora ele não ocupe nenhuma das vagas.
Os votos de Datena ficaram com o PSB
Votos de Tabata Amaral, Jonas Donizette e Datena, candidatos do PSB a deputado federal por São Paulo em 2026. O partido conquistou duas cadeiras, e só Tabata superou sozinha o quociente eleitoral.
Dados do TSE compilados por Exame e CNN Brasil. Quociente calculado pelo Ranking dos Políticos com base em 23,67 milhões de votos válidos e 70 cadeiras.
A mesma lei exige que o candidato tenha ao menos 10% do quociente eleitoral para ocupar as vagas que o partido conquista. Em São Paulo, a eleição para deputado federal teve 23,67 milhões de votos válidos para 70 cadeiras. Assim, o quociente ficou perto de 338 mil votos, e o piso, em cerca de 33,8 mil.
Entre os 11 famosos paulistas derrotados na disputa pela Câmara que aparecem no primeiro gráfico, apenas Datena e Sikêra Jr. passaram dessa marca. Os outros nove, incluindo Silvia Abravanel e Rachel Sheherazade, não alcançaram nem o mínimo que a lei pede.
O efeito arrastão não é novidade. Em 2014, a votação de Tiririca garantiu a eleição de dois colegas do então PR, entre eles Capitão Augusto, com 46.905 votos. Em 2026, o papel coube a Lucas Pavanato (PL), que recebeu 3.038.438 votos, enquanto o partido conquistou 19 das 70 vagas paulistas.
Ou seja, quem vota em um nome conhecido também escolhe, muitas vezes sem saber, quem vai junto para Brasília. Por outro lado, quem vota em um famoso sem chance real fortalece candidatos que talvez nem conheça.
A fama cumpre seu papel no dia da votação. Depois da posse, o que importa é a atuação em plenário, nas comissões e no uso do dinheiro público.
O Ranking dos Políticos avalia deputados federais e senadores desde 2011 e publica a nota de cada parlamentar. Para quem votou em um famoso, a nota mostra se o voto virou trabalho em Brasília. Ela também revela quais eleitos chegaram lá com a ajuda da votação de outro candidato.