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Desde janeiro de 2023, o presidente Lula soma ao menos 157 declarações consideradas controversas, segundo levantamento do Poder360. O número inclui gafes, lapsos de memória, ofensas a grupos sociais, erros factuais e falas sobre política internacional que provocaram crises diplomáticas.
De acordo com o levantamento, 43% das declarações foram classificadas como ofensivas, enquanto 15% envolvem política internacional. Já os erros factuais somam 15%. A maioria das falas acontece quando o presidente improvisa, fora dos discursos preparados pela equipe de comunicação do Planalto.
Em março de 2025, o governo reforçou o time de redação de discursos, mas o efeito foi limitado, já que as declarações mais polêmicas ocorrem justamente nos momentos sem roteiro.
Ao longo do mandato, Lula também fez declarações sobre temas como escravidão, segurança pública, violência contra mulheres e relações internacionais, que foram alvo de contestação tanto pela oposição quanto por parte da própria base aliada. Parte das declarações envolve erros de formulação, contradições e afirmações que precisaram ser corrigidas depois.
A recorrência dos episódios se tornou um ponto de atenção para 2026, quando o presidente poderá disputar a reeleição aos 81 anos, a mesma idade que Joe Biden tinha quando desistiu da corrida presidencial nos Estados Unidos após uma sequência de lapsos públicos.
Abaixo, as 13 falas mais polêmicas de Lula no terceiro mandato e o contexto em que foram ditas.
“O que está acontecendo na Faixa de Gaza não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus.”
A declaração foi feita em fevereiro de 2024, na cúpula da União Africana, na Etiópia. Como resultado, o chanceler de Israel declarou Lula persona non grata. O governo brasileiro não se retratou.
“A decisão da guerra foi tomada por dois países.”
Em abril de 2023, Lula atribuiu à Ucrânia a mesma responsabilidade que à Rússia pela guerra. Porém, a ofensiva militar partiu de Moscou em fevereiro de 2022.
“O conceito de democracia é relativo.”
Em junho de 2023, Lula relativizou as críticas ao regime venezuelano. Também chamou de “narrativa” as acusações de autoritarismo contra Maduro. Ainda disse que “quem quiser derrotar o Maduro, derrote nas próximas eleições”. Depois das denúncias de fraude no pleito de 2024, a frase envelheceu mal.
“Eu preciso do meu pai me dar R$ 5 para comprar um batom, eu preciso do meu pai me dar R$ 10 para comprar uma calcinha.”
Em março de 2024, Lula disse que mulheres sem profissão dependem do pai para comprar itens pessoais. A declaração veio menos de uma semana após evento do Dia Internacional da Mulher.
“Se o cara é corintiano, tudo bem.”
Em julho de 2024, Lula comentava pesquisa sobre violência contra mulheres após jogos de futebol. A frase foi dita em reunião no Palácio do Planalto. Dias depois, tentou se corrigir dizendo que “homem com fé em Deus não bate em mulher”. Ainda assim, a gafe já havia repercutido.
“E lá eu encontro com uma mulherzinha, sabe, presidente do FMI.”
Em abril de 2025, Lula se referiu assim à diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, durante evento da construção civil.
“Que monstro vai sair do ventre dessa menina?”
Em junho de 2024, Lula criticava o projeto de lei que equipara aborto tardio ao homicídio. A escolha da palavra gerou repercussão negativa. Como consequência, o Planalto editou o vídeo antes de publicá-lo nas redes oficiais.
“Afrodescendente assim gosta de um batuque de tambor.”
Comentário feito em fevereiro de 2024 sobre uma jovem negra de 20 anos, durante evento em São Paulo. A oposição classificou a fala como racista. Aliados evitaram comentar publicamente.
“Não tinha noção que o Rio Grande do Sul tinha tanta gente negra.”
Em maio de 2024, Lula anunciava medidas para os afetados pelas enchentes. Segundo ele, a primeira-dama Janja teria explicado que os negros são “os mais pobres, que moram nos lugares mais arriscados”.
“Pessoa com deficiência tem problema de parafuso.”
Declaração feita em 2023, após o ataque a uma creche em Blumenau (SC). Lula associou deficiência intelectual à violência. Por isso, ativistas pediram retratação.
“Bandido rouba celular para tomar uma cervejinha.”
Declaração sobre criminalidade, criticada por minimizar crimes de roubo. A frase gerou reação nas redes sociais e foi usada pela oposição.
“Para que o Brasil seja um dos países mais respeitados do mundo no crime organizado.”
Gafe de março de 2026, durante a sanção da Lei Antifacção. Lula queria dizer “combate ao crime organizado”. Em seguida, a Secretaria de Comunicação reconheceu o erro.
“Nós temos uma profunda gratidão ao continente africano por tudo o que foi produzido durante 350 anos de escravidão no nosso país.”
Fala de julho de 2023. Foi criticada por minimizar o impacto histórico da escravidão. Inclusive apoiadores do governo reagiram negativamente.
Alan Martins é jornalista, designer gráfico e analista de comunicação do Ranking dos Políticos