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Os editoriais críticos ao STF cresceram nos quatro maiores jornais brasileiros no primeiro semestre de 2026. O avanço aparece em todos os veículos acompanhados pelo estudo “A imprensa, o Governo Lula e o STF”, do Ranking dos Políticos, que classificou 319 editoriais publicados entre janeiro e junho.
O Supremo também passou a ocupar mais espaço nas páginas de opinião. Dos textos analisados no semestre, 149 trataram da Corte, ou 46,7% do total. Em 2025, essa proporção era de 32,7%. Ou seja, o Judiciário se aproximou do Executivo como principal alvo dos jornais.
A pesquisa acompanha desde 2023 os editoriais de O Estado de S. Paulo, Gazeta do Povo, O Globo e Folha de S.Paulo. Os quatro foram escolhidos por tradição, influência e audiência, conforme critério do estudo que exige mais de 100 mil assinantes ativos.
Entraram na conta apenas os editoriais sobre a administração federal, seus representantes ou o STF. Cada texto recebeu uma classificação: favorável, neutro ou contrário. O recorte inclui ainda projetos de lei, julgamentos e políticas públicas.
Editoriais não levam assinatura individual. Por isso funcionam como a posição institucional do jornal, e não como opinião de um colunista.
A Gazeta do Povo chegou ao limite da escala. Dos 49 editoriais que dedicou ao Supremo no semestre, 100% foram classificados como contrários. No Estadão, a taxa passou de 80,60% em 2025 para 90,70%.
Na Folha, os textos contrários subiram de 46,15% para 61,29%. Em O Globo, de 24,14% para 34,62%. Nenhum veículo, portanto, seguiu na direção oposta.
O volume também mudou. Na Gazeta do Povo, por exemplo, o Supremo respondeu por 49 dos 69 editoriais do semestre. No Estadão, foram 43 de 101. Ou seja, o tribunal deixou de ser assunto ocasional nas páginas de opinião.
O caso Banco Master aparece como o principal catalisador do período. As relações de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o banco liquidado motivaram cobranças de afastamento e transparência dentro e fora da Corte.
As decisões monocráticas e o inquérito das fake news também se repetem nos textos. Além disso, os quatro jornais cobraram autocontenção do Supremo e mais equilíbrio entre os Três Poderes.
A regulação das redes sociais e os limites da liberdade de expressão vieram logo depois. Na Gazeta do Povo e no Estadão, esses temas sustentaram boa parte das críticas ao tribunal.
Nem tudo foi crítica. A proposta de código de ética apresentada por Edson Fachin foi bem recebida pelos veículos, ainda que com ressalvas sobre o alcance das regras.
O Globo manteve a leitura mais favorável ao Supremo entre os quatro. Mesmo assim, o percentual de editoriais favoráveis caiu de 58,62% para 46,15% em um ano.
A Folha ficou no meio do caminho, com 25,81% de textos favoráveis. Os dois jornais elogiaram a condenação de Jair Bolsonaro pela trama golpista e as decisões de Flávio Dino contra supersalários.
No Executivo, o quadro mudou pouco. Os editoriais contrários ao governo Lula variaram de 79,49% na Folha a 94,83% no Estadão.
A maior alteração veio de O Globo. A reprovação do jornal ao governo saltou de 70,59% em 2025 para 88,68% no primeiro semestre de 2026. Na Gazeta do Povo, por outro lado, houve leve recuo, de 98,77% para 94,44%.
O contraste com o início do mandato é grande. Em 2023, os índices contrários iam de 66,50% na Folha a 84,06% na Gazeta. Desde então, nenhum jornal voltou a esse patamar.
A política fiscal segue como o tema mais cobrado pelos quatro veículos. Os editoriais associaram o aumento de gastos e da dívida a decisões de curto prazo, em ano eleitoral.
O decreto que elevou o IOF e acabou derrubado pelo Congresso virou exemplo recorrente de improviso na área fiscal. Do mesmo modo, a ampliação da isenção do Imposto de Renda e os subsídios a combustíveis foram tratados como medidas de campanha antecipada.
As exceções ao arcabouço fiscal e a resistência à privatização de estatais, como os Correios, completam a lista. Nesse ponto, os quatro jornais convergiram com poucas variações de tom.
A relação do governo com o Congresso recebeu avaliação negativa nos quatro veículos. A indicação de Jorge Messias ao STF apareceu como caso emblemático, por privilegiar a lealdade pessoal.
A rejeição do nome pelo Senado, em abril, foi a primeira em 132 anos. Os editoriais leram o episódio como sinal dos limites que o Executivo insiste em testar.
A política externa concentrou os poucos registros positivos. Estadão, O Globo e Folha aprovaram a condução da crise com Donald Trump e a abertura de diálogo com Washington.
Apesar disso, os elogios ficaram restritos a pontos específicos, como o combate ao desmatamento e a saída do Brasil do Mapa da Fome. A Folha foi o veículo que mais reconheceu avanços setoriais, sobretudo em economia e diplomacia.
O Estadão, por sua vez, aprovou o veto ao aumento de salários dos parlamentares. Já O Globo endossou o socorro ao setor produtivo diante do tarifaço americano.
O movimento dos últimos 12 meses mostra uma imprensa que deslocou parte da atenção do Palácio do Planalto para a Praça dos Três Poderes. Com o Supremo ocupando quase metade da pauta editorial em ano eleitoral, a cobrança por autocontenção da Corte tende a seguir na primeira página.