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Quarenta e dois deputados federais deixaram de lado a disputa pela própria cadeira na Câmara. Todos registraram candidatura ao Senado, o dobro do que ocorreu em 2022. Com isso, a próxima legislatura tende a ter mais ex-deputados federais no Senado.
O movimento aparece no levantamento do Ranking dos Políticos sobre parlamentares em disputas majoritárias. Conforme o estudo, 101 deputados e senadores com mandato em curso concorrem a cargos majoritários neste ano. Desses, 74 miram uma vaga no Senado. A base são as candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral.
O grupo reúne 53 deputados federais e 48 senadores. Por isso, o pleito mexe com as duas Casas ao mesmo tempo. A Câmara perde titulares na briga por suas próprias cadeiras. O Senado, por outro lado, recebe uma fila de candidatos vindos da Casa vizinha.
Dos que disputam o Senado, 42 são deputados federais e 32 são senadores em busca de novo mandato. Para o deputado, porém, a aposta custa caro. O Código Eleitoral proíbe o registro para mais de um cargo na mesma eleição.
Ou seja, quem tenta o Senado não concorre à reeleição na Câmara. Com isso, quem perder deixa o Congresso ao fim de janeiro de 2027, sem cargo eletivo.
Cada estado e o Distrito Federal elegem dois senadores em 4 de outubro. Dessa forma, 54 das 81 cadeiras serão renovadas, conforme o TSE. O total de vagas é o dobro do que estava em jogo em 2022.
O número de deputados federais candidatos ao Senado dobrou de 21 para 42. Ao mesmo tempo, 314 pessoas concorrem às vagas em todo o país.
O mandato de oito anos ajuda a explicar a procura. Portanto, um senador eleito agora fica no cargo até 2035. Nesse intervalo, passam duas eleições gerais.

O movimento não ficou restrito ao Congresso. Cinco governadores renunciaram ao cargo para disputar o Senado. São eles Helder Barbalho (PA), Mauro Mendes (MT), Gladson Cameli (AC), João Azevêdo (PB) e Antonio Denarium (RR). Assim, boa parte dos parlamentares enfrenta adversários com máquina estadual recém-deixada.
Dez senadores e cinco deputados federais disputam o Executivo estadual. Entre eles estão Sergio Moro (PL-PR), Omar Aziz (PSD-AM), Cleitinho (Republicanos-MG), Efraim Filho (PL-PB) e Marcos Rogério (PL-RO). Da mesma forma, aparecem nomes da Câmara, como Zucco (PL-RS) e Sandro Alex (PSD-PR).
O grupo, no entanto, encolheu ao longo do ciclo. Em novembro, o Ranking dos Políticos mapeou 27 parlamentares de olho nos governos. As convenções partidárias cortaram quase metade dessas intenções.

Além disso, sete parlamentares aceitaram a vaga de suplente de senador, sendo quatro senadores e três deputados. O caso mais expressivo é o de Jader Barbalho (MDB-PA). Ele concorre como primeiro suplente na chapa do ex-governador Helder Barbalho. Nelsinho Trad (PSD-MS) e Daniella Ribeiro (PP-PB) fizeram movimento parecido em seus estados.
Outros dois deputados federais disputam o vice-governo, no Mato Grosso e em Santa Catarina. Alfredo Gaspar (PL-AL) e Eduardo Girão (Novo-CE) concorrem à vice-presidência, em chapas adversárias. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o único parlamentar candidato ao Planalto.
A soma das candidaturas antecipa uma troca relevante de nomes na próxima legislatura. Afinal, ao menos 42 cadeiras da Câmara não terão o atual ocupante concorrendo a elas. Some-se a isso os deputados que foram para governos, vices e suplências.
O cálculo, contudo, não é o mesmo nas duas Casas. No Senado, 32 dos 54 lugares em disputa têm um ocupante atual tentando permanecer. Na Câmara, ao contrário, a saída é definitiva para quem não vencer.
Nesse sentido, a eleição funciona como um teste de sobrevivência política. Parte dos parlamentares que hoje decide o Orçamento e as pautas econômicas não estará em Brasília em 2027. Quem quiser saber como cada um deles votou até aqui pode consultar a nota individual no Ranking dos Políticos.