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Dos 513 deputados federais eleitos em 4 de outubro de 2026, apenas 34 tiveram votos próprios suficientes para uma cadeira. Ou seja, sozinhos, eles bastariam para ocupar uma vaga inteira no próprio estado. Já os outros 479 representam 93,4% da futura Câmara. Eles chegaram lá com a ajuda dos votos dados ao partido, à federação e aos colegas de lista.
O número é maior que o de 2022, quando 28 deputados superaram o quociente eleitoral com a própria votação. Mesmo assim, segue a regra. Afinal, mais de nove em cada dez deputados da legislatura que começa em 2027 dependeram do desempenho coletivo da legenda.
Só 34 dos 513 deputados se elegeram com os próprios votos
Cada quadrado é um deputado federal eleito. Em destaque, os que superaram sozinhos o quociente eleitoral do estado.
Fonte: TSE; Congresso em Foco. Elaboração: Ranking dos Políticos.
Na eleição para deputado, o voto conta primeiro para o partido ou a federação e só depois para o candidato. Por isso, as cadeiras de cada estado são divididas entre as legendas conforme a votação total de cada uma.
A conta tem três passos:
Há ainda uma exigência individual: ninguém se elege com menos de 10% do QE. Essa regra vale mesmo que o partido tenha vaga sobrando.
Em 2026, o quociente variou de 338.203 votos em São Paulo a 39.853 em Roraima. Nesse sentido, os 34 deputados deste levantamento são os que, sozinhos, tiveram pelo menos um QE do próprio estado.
Isso não significa que foram eleitos fora do sistema proporcional. Na verdade, todos ocupam vagas conquistadas pela legenda. O dado mostra apenas que os votos deles bastariam para pagar a própria cadeira.
Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera com folga: 3.119.318 votos. O total equivale a cerca de 14,5 vezes o quociente de Minas (214.720). Em seguida vem Lucas Pavanato (PL-SP), com 3.038.438 votos, quase 9 vezes o quociente paulista.
No outro extremo, Reginaldo Lopes (PT-MG) passou o quociente por 472 votos. Da mesma forma, Rick Azevedo (PSOL-RJ) superou a marca por apenas 1.289 votos.
Quantas vezes cada deputado superou o quociente do seu estado
Votos do deputado divididos pelo quociente eleitoral da UF. A linha tracejada marca 1 quociente, o “preço” de uma cadeira. Passe o mouse ou toque numa barra.
Reginaldo Lopes (PT-MG) superou o quociente por 472 votos; Rick Azevedo (PSOL-RJ), por 1.289.
Fonte: TSE, resultado de 4/10/2026. Elaboração: Ranking dos Políticos.
Por partido, o PL tem 12 dos 34 nomes; o PSOL, 7; PSB e MDB, 3 cada. Novo e PT aparecem com 2 cada, enquanto Missão, Avante, PSD, Podemos e PP têm 1 cada.
Na divisão por estado, São Paulo tem 6; Rio Grande do Sul, 5; Minas Gerais, 4; Ceará e Paraná, 3 cada. Ao mesmo tempo, em 12 estados nenhum eleito atingiu o quociente sozinho: AC, AL, AP, AM, GO, MA, MT, MS, RN, RR, SE e TO (Congresso em Foco).
Onde estão os 34 deputados eleitos com votos próprios
Número de deputados que superaram sozinhos o quociente eleitoral do estado.
12 estados sem nenhum: AC, AL, AP, AM, GO, MA, MT, MS, RN, RR, SE e TO.
Fonte: TSE; Congresso em Foco. Elaboração: Ranking dos Políticos.
Os 34 deputados eleitos com votos próprios
Ordenados por quantas vezes a votação superou o quociente eleitoral do estado.
| Deputado | Partido | UF | Votos | Vezes o quociente |
|---|---|---|---|---|
| 1Nikolas Ferreira | PL | MG | 3.119.318 | 14,5 |
| 2Lucas Pavanato | PL | SP | 3.038.438 | 9,0 |
| 3Erika Hilton | PSOL | SP | 1.596.472 | 4,7 |
| 4André Fernandes | PL | CE | 684.372 | 2,7 |
| 5Ana Elisa | PT | MG | 524.219 | 2,4 |
| 6Julia Zanatta | PL | SC | 560.223 | 2,1 |
| 7Jeffrey Chiquini | Novo | PR | 425.399 | 2,1 |
| 8Lucas Polese | PL | ES | 419.735 | 2,0 |
| 9Maurício Marcon | PL | RS | 379.834 | 1,9 |
| 10Sâmia Bomfim | PSOL | SP | 583.107 | 1,7 |
| 11Kim Kataguiri | Missão | SP | 520.071 | 1,5 |
| 12Delegado Caveira | PL | PA | 414.927 | 1,5 |
| 13Tabata Amaral | PSB | SP | 476.383 | 1,4 |
| 14Fernanda Melchionna | PSOL | RS | 280.262 | 1,4 |
| 15Lucio Mosquini | PL | RO | 158.421 | 1,4 |
| 16Guilherme Kilter | Novo | PR | 269.832 | 1,3 |
| 17Cabo Gilberto Silva | PL | PB | 267.142 | 1,3 |
| 18Pedro Campos | PSB | PE | 261.555 | 1,2 |
| 19Jones Manoel | PSOL | PE | 249.077 | 1,2 |
| 20Pastor Sargento Isidório | Avante | BA | 248.147 | 1,2 |
| 21Sargento Fahur | PL | PR | 242.643 | 1,2 |
| 22Giovani Cherini | PL | RS | 234.171 | 1,2 |
| 23Renato Bolsonaro | PL | SP | 379.312 | 1,1 |
| 24Jader Filho | MDB | PA | 326.617 | 1,1 |
| 25Tainah Marinho | PSB | CE | 265.585 | 1,1 |
| 26Georgiano | PSD | PI | 234.254 | 1,1 |
| 27Duda Salabert | PSOL | MG | 229.535 | 1,1 |
| 28Fábio Felix | PSOL | DF | 224.224 | 1,1 |
| 29Rony Gabriel | Podemos | RS | 223.643 | 1,1 |
| 30Alceu Moreira | MDB | RS | 217.208 | 1,1 |
| 31Dr. Luizinho | PP | RJ | 213.904 | 1,1 |
| 32Yury do Paredão | MDB | CE | 261.291 | 1,0 |
| 33Reginaldo Lopes | PT | MG | 215.192 | 1,0 |
| 34Rick Azevedo | PSOL | RJ | 191.371 | 1,0 |
Fonte: TSE, resultado de 4/10/2026. A coluna “Vezes o quociente” divide os votos do deputado pelo quociente eleitoral do seu estado. Elaboração: Ranking dos Políticos.
O outro lado da conta: 196 candidatos tiveram mais votos que o último eleito do próprio estado e ficaram de fora. Isso porque o partido ou a federação não fez cadeiras suficientes para alcançá-los.
Um exemplo é Rui Falcão (PT-SP). Ele recebeu 106.443 votos, mais que 22 eleitos em São Paulo. Contudo, a federação não conquistou vagas suficientes para incluí-lo.
No sentido inverso, Edinho Araújo (PRD-SP) se elegeu com 54.443 votos. A votação representa cerca de 16% do quociente paulista.
Há também o voto que não elegeu ninguém. Em Rondônia, 25,2% dos votos válidos foram para listas que ficaram sem cadeira.
No Distrito Federal, a fatia chegou a 19,6%; em Roraima, a 17,9%; e no Maranhão, a 17,2%. Em São Paulo, por sua vez, a taxa foi de apenas 1,7%.
O voto que não elegeu ninguém
Percentual dos votos válidos para deputado federal dados a listas que ficaram sem cadeira.
Em azul-claro, São Paulo, para comparação.
Fonte: HubPolítico, com dados do TSE. Elaboração: Ranking dos Políticos.
No sistema proporcional, votar em um candidato é também votar na lista dele. Dessa forma, o voto pode ajudar a eleger outra pessoa do mesmo partido ou federação.
Inclusive, esse beneficiado pode ser alguém que o eleitor não conhece. Por isso, vale olhar quem está na lista antes de votar e acompanhar quem chegou à Câmara por ela.
O dado também alimenta o debate sobre reforma política. Defensores do modelo atual dizem que ele dá peso aos partidos. Além disso, afirmam que o sistema representa correntes de opinião em proporção aos votos.
Críticos, porém, apontam que o eleitor nem sempre sabe quem ajudou a eleger. Eles defendem alternativas como o voto distrital ou o distrital misto.
Consideramos “eleito com os próprios votos” o deputado com votação nominal igual ou superior ao quociente eleitoral do seu estado. A base é o resultado oficial do TSE de 4 de outubro de 2026. Também serviram de apoio o guia da Câmara dos Deputados, a lista do TRE-SP e o relatório do HubPolítico.