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O circuit breaker da B3 foi acionado nesta segunda-feira (26), um dia após o segundo turno da eleição presidencial. Lula foi reeleito com 51,77% dos votos válidos. Foi a primeira paralisação da bolsa desde março de 2020, no início da pandemia.
A regra surgiu nos Estados Unidos após a Black Monday de 1987, quando o Dow Jones perdeu 22,6% em um pregão. O Brasil adotou o modelo em 1997. Até esta segunda, a B3 havia recorrido a ele 23 vezes.
Segundo a B3, uma queda de 10% sobre o fechamento anterior interrompe o pregão por 30 minutos. Na volta, um recuo de 15% provoca nova parada, de uma hora. Com 20%, a própria bolsa define o prazo da suspensão.
O terceiro estágio nunca foi acionado. Além disso, a regra não vale nos 30 minutos finais do pregão. Se a parada ocorrer na última hora, o fechamento é adiado para garantir meia hora de negócios.
Simulação ilustrativa. Os estágios 2 e 3 só valem após a reabertura do pregão. Fonte: regras da B3.
Desde o primeiro turno, os preços embutiam a expectativa de mudança na condução das contas públicas. Entre as duas votações, o Ibovespa subiu quase 7% e superou os 200 mil pontos pela primeira vez. Na sexta-feira (23), o índice fechou aos 205.082 pontos.
Com o resultado das urnas, investidores passaram a exigir mais retorno para compensar o risco fiscal. O dólar avançou 12% e chegou a R$ 5,60. Os juros longos subiram 182 pontos-base. Além disso, analistas apontam um componente institucional ligado às controvérsias sobre o processo eleitoral.
O circuit breaker vale para o mercado à vista. Ao mesmo tempo, o preço segue em formação em outros ambientes. Antes da abertura, a B3 ampliou de 15% para 20% o limite de queda dos contratos futuros de Ibovespa.
O índice futuro chegou a recuar 19,7%. Em Nova York, o fundo EWZ, que reúne ações brasileiras, caía 27% na pré-abertura. Ou seja, quem acompanha apenas a tela da B3 enxerga só parte do prejuízo.
O gatilho mede a queda em relação ao fechamento anterior. Por isso, boa parte do recuo desta segunda devolve a alta acumulada desde o primeiro turno.
Para a Gavekal Research, a correção pode abrir oportunidade de compra. O analista Rohan Daswani lembra que o Congresso é mais conservador que o presidente. A direita ocupa cerca de 59% da Câmara e mais de 64% do Senado.
Pesquisas acadêmicas descrevem o chamado efeito ímã. Perto do limite, investidores antecipam ordens de venda por medo de ficar presos na pausa. Um estudo da Universidade Batista de Hong Kong encontrou evidências desse comportamento no mercado chinês.
A China, aliás, suspendeu o próprio circuit breaker após apenas quatro dias, em janeiro de 2016. O regulador havia fixado gatilhos de 5% e 7%, atingidos logo nos primeiros pregões do ano.
A turbulência também encarece a dívida pública. Nesta segunda, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para a semana.
Sem confiança no ajuste das contas, credores tendem a cobrar juros maiores. Dessa forma, o crédito fica mais caro para empresas e famílias, de acordo com análise publicada pela Reuters.
A pausa dá tempo ao investidor, mas o rumo dos preços depende de sinais concretos do novo mandato. Para o economista Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, o ponto central é uma sinalização fiscal consistente. Sem ela, o custo de capital tende a subir e travar investimento, crédito e crescimento.