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Política
29 de abril, 2026

32 milhões de brasileiros não votaram no primeiro turno da última eleição presidencial

32 milhões de brasileiros não votaram no primeiro turno da última eleição presidencial
Foto: Ranking dos Políticos

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Mais de 32 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno da última eleição presidencial. Quase 21% do eleitorado ficou fora da decisão sobre quem governaria o país pelos quatro anos seguintes.

Com o pleito de outubro de 2026 no horizonte, o prazo para regularizar o título de eleitor termina em 6 de maio. Quem deixar para depois fica fora da próxima eleição.

A maior abstenção desde 1998

O número oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral foi de 32.766.498 ausentes no primeiro turno, segundo o balanço da Justiça Eleitoral compilado pela Exame. O percentual de 20,95% foi o maior índice de abstenção em uma eleição presidencial desde 1998.

Para se ter ideia do tamanho dessa ausência, o contingente equivale aproximadamente à população somada de Argentina e Uruguai. Por isso, o resultado eleitoral acabou sendo definido por uma fatia menor do eleitorado do que o número total de aptos sugere.

No segundo turno o cenário se manteve. Foram 32.200.558 ausentes, ou 20,59%, segundo o boletim final divulgado pelo TSE.

Onde mais gente ficou em casa

A região Sudeste puxou a média nacional para cima. Estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo concentraram os maiores volumes absolutos de eleitores ausentes, conforme levantamento da CUT com base nos dados do TSE. No Rio, a abstenção chegou a 22,7%; em Minas, a 22,3%; em São Paulo, a 21,6%.

Já em termos proporcionais, Roraima, Paraíba e Ceará tiveram o melhor comparecimento. Rondônia, Mato Grosso e Rio de Janeiro lideraram a abstenção proporcional, segundo o boletim do Senado Federal.

A capital paulista sozinha somou quase 2 milhões de eleitores ausentes, conforme reportagem da Exame sobre os colégios eleitorais. É um eleitorado equivalente ao de muitos estados inteiros, simplesmente fora da decisão.

O custo para a democracia

Quando 32 milhões abrem mão do voto, a conta sobra para o resto. O cálculo do governo eleito passa a depender de uma base de apoio menor em números absolutos, e a legitimidade do mandato fica mais frágil.

Quem não vota também decide. A diferença é que decide por omissão e entrega a escolha para os outros. E os outros decidem inclusive sobre a vida de quem ficou em casa, do Bolsa Família à Reforma Tributária, da política externa à segurança pública.

Reclamar do Congresso, do Executivo e dos políticos em geral faz parte do exercício democrático. Mesmo assim, esse direito ganha peso quando se cumpriu antes o dever de comparecer à urna.

Por que tanta gente deixa de votar

Não há resposta única, porém alguns padrões aparecem com frequência. Eleitores com menor renda e menor escolaridade tendem a se abster mais. Eleitores fora do município onde têm título registrado costumam não voltar para votar, especialmente em cidades pequenas onde parte do eleitorado já mudou de endereço.

Ao mesmo tempo, há um fator menos quantificável e mais incômodo. O cidadão comum passou a enxergar pouca diferença entre o prometido e o entregue, independente do partido no poder. Por isso, parte da abstenção é visto como um protesto silencioso.

Esse desencanto, no entanto, não muda o sistema. Quem não vota não diminui o número de cadeiras no Congresso nem reduz o orçamento dos partidos. Apenas transfere a decisão.

Prazo para regularizar o Título de Eleitor em 2026

O Tribunal Superior Eleitoral fechou o cadastro eleitoral 150 dias antes do primeiro turno, conforme determina a Lei das Eleições. Por isso, todo o trâmite de alistamento, transferência, atualização cadastral e regularização precisa ser concluído até 6 de maio de 2026.

A partir de 7 de maio, o sistema fica fechado para receber novos pedidos referentes ao pleito de outubro. Não adianta correr depois disso.

O que pode ser feito até a data limite

Até 6 de maio, o eleitor pode tirar o primeiro título, transferir o domicílio eleitoral, atualizar dados cadastrais e regularizar pendências como multa por ausência. A campanha Eleitor em Dia, do TSE, reforça a lista de serviços. Brasileiros no exterior também precisam regularizar a situação até a mesma data.

Quem nunca tirou título e completar 16 anos até outubro pode votar de forma facultativa. A partir dos 18 anos o voto se torna obrigatório, com algumas exceções previstas na Constituição.

Como regularizar online

A consulta da situação eleitoral pode ser feita pelo Autoatendimento Eleitoral, no portal do TSE, ou pelo aplicativo e-Título. Pelo CPF ou pelo número do título, o sistema mostra se há débito, se o título foi cancelado ou se está tudo em ordem.

Se houver pendência, o pagamento pode ser feito por Pix, boleto ou cartão diretamente no portal. A baixa do débito acontece de forma automática, em alguns segundos no caso do Pix, conforme o serviço lançado pela Corregedoria-Geral Eleitoral.

A coleta de biometria, no entanto, exige presença em cartório eleitoral. Por isso, quem nunca passou pelo cadastro biométrico ou está com biometria desatualizada precisa se programar para ir presencialmente antes de 6 de maio.

Multa e bloqueios para quem não vota e não justifica

A multa por turno não votado nem justificado fica entre 3% e 10% do valor base de R$ 35,13, definido pelo TSE. O valor mínimo é simbólico, em torno de R$ 3,51 por turno. Não é o tamanho da multa que pesa. O problema vem das restrições.

Quem fica em débito com a Justiça Eleitoral não pode:

  • Tirar passaporte
  • Tomar posse em concurso público
  • Renovar matrícula em escola pública
  • Participar de licitação federal
  • Não pode obter certidão de quitação eleitoral, conforme detalha o próprio Tribunal Superior Eleitoral.

Além disso, quem deixa de votar, justificar e pagar multa por três eleições consecutivas tem o título cancelado. Cada turno conta como uma eleição. Em 2025, a Justiça Eleitoral cancelou 5.042.047 títulos por essa razão, o equivalente a 3,1% do eleitorado nacional.

A justificativa da ausência

Quem não puder votar deve justificar a falta em até 60 dias após cada turno. O procedimento se faz pelo aplicativo e-Título ou pelo Sistema Justifica, no portal do TSE. Sem isso, a multa entra no boleto.

A escolha que pesa mesmo sobre quem ficar em casa

A democracia brasileira é jovem. As primeiras eleições diretas para presidente após a redemocratização aconteceram em 1989. Cada eleição que passa com mais de 30 milhões de ausentes é uma eleição em que uma parte da sociedade abre mão da única ferramenta que tem para cobrar de quem ocupa cargos públicos.

Antes de 6 de maio, o eleitor deve consultar a situação do título no portal do TSE. Se houver pendência, regularizar. Se nunca tirou, é melhor tirar agora. A escolha de outubro vai pesar sobre a vida de todos, inclusive de quem ficar em casa.


Alan Martins é jornalista, designer gráfico e analista de comunicação do Ranking dos Políticos